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terça-feira, 31 de julho de 2018

PREVENÇÃO DE DOENÇAS PARASITÁRIAS NAS AREIAS DE SANTOS:EDUCAÇÃO EM SAÚDE-SP

Revista Aretê Saúde Humana,  Ano 6, Vol.6, Julho/Ago/Set 2018,  Série 31/08, p.26

 PREVENÇÃO DE DOENÇAS PARASITÁRIAS NAS AREIAS DE SANTOS:EDUCAÇÃO EM SAÚDE-SP

Isadora Santalla1
Manuela Araújo1
Marly Armani1
Bruna Renó2
Eneida Tramontina³

____________________________________________________________________________
SANTALLA, Isadora; ARAÚJO, Manuela; ARMANI, Marly K.H.Aretê Saúde Humana [Blog].Prevenção de doenças parasitárias nas areias de Santos - SP: Educação em Saúde. Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Enfermagem do Centro Universitário São Judas – Campus UNIMONTE, Santos – SP, 2018.Disponível em: <http://aretesaudehumana.blogspot.com/2018/07/prevencao-de-doencas-parasitarias-nas.html>

1  Discentes do curso de Enfermagem do Centro Universitário São Judas – Campus UNIMONTE
2  Docente do curso de Enfermagem – Enfa Dra em Saúde Coletiva Bruna Renó
³ Docente do curso de Enfermagem – Enfa e coordenadora do curso de Enfermagem  


Resumo: A existência de parasitas nas areias da praia de Santos, localizado no Litoral Paulista, no estado de São Paulo é algo muito provável, no entanto não documentado, sendo este um assunto de interesse para a saúde pública. O objetivo foi elaborar uma cartilha de orientação sobre prevenção de doenças parasitárias nas areias de Santos – SP. Trata-se de uma pesquisa exploratória realizada nos canais da praia de Santos – SP. Foram coletadas 180 amostras de areia de quatro áreas dos trechos mais movimentados da praia, localizados entre o calçadão e o mar. As amostras de areia foram coletadas pelo método de Cáceres e preparadas pelo método de Hoffman e analisadas através de microscopia óptica no laboratório de análises clínicas e microscopia do Centro Universitário São Judas – Campus UNIMONTE. Foram constatados os parasitas: Ancylostoma Braziliense, Strongyloides Stercoralis e Cisto de Giárdia. Ao final da pesquisa concluiu-se, que as amostras examinadas da praia possuem capacidade de causar contaminação e doenças em seres humanos. Esses parasitas causam problemas de saúde, cabendo aos profissionais de saúde, dentre estes o Enfermeiro a educação da população, enfatizando as medidas preventivas básicas.

Palavras-Chaves – Doenças parasitárias, Educação em saúde, Enfermagem em Saúde Comunitária.

Introdução
A partir da metade do século XIX houve uma preocupação com o saneamento básico da cidade, foram construídos rudimentares sistemas de canalização de esgoto que se misturavam com a água das chuvas em galerias e tubulações feitas de barro. As condições sanitárias e o clima da cidade de Santos eram propícios para o alastramento de algum tipo de doença viral. Em 1850 houve uma epidemia de febre amarela que dizimou dezenas de santistas. Ao longo dos anos, percebeu-se que a maior parte das doenças tinham origem ou estavam bastante relacionadas à questão da água. Era necessário canalizar os rios e córregos que cortavam as áreas densamente povoadas para impedir o contato da população com as doenças relacionadas a péssimas condições sanitárias, tais como a febre amarela, tuberculose, cólera, leptospirose, varíola, tétano, coqueluche, peste bubônica, entre outros males que foram responsáveis por milhares de óbitos ao longo da década de Santos. O engenheiro Francisco Rodrigues Saturnino de Brito tinha um projeto para a melhoria da qualidade de vida da cidade, como a implantação de uma rede bem estruturada de esgoto sanitário, da rede de esgotos pluviais, pela reforma completa das instalações domiciliares e pela construção de canais de drenagem. Em 1907 foi entregue o Canal 1 e ao longo de 20 anos foram entregues os outros 8 canais.
A contaminação das areias das praias do litoral brasileiro constitui um sério problema de Saúde Pública, por isso um levantamento dos agentes patológicos contaminantes é extremamente importante, uma vez que tal contaminação pode infectar um indeterminado número de pessoas e estas por sua vez começar a desenvolver sérios problemas de saúde. (CÍCERO, et. al., 2012).
As praias são importantes focos de infecção humana por microrganismos, tanto através da água quanto através do solo. Atualmente, os estudos realizados em relação à balneabilidade de praias levam em consideração a qualidade da água do mar quanto a sua contaminação por coliformes totais e fecais. No entanto, a análise da contaminação, quer seja parasitária ou bacteriológica dos solos das praias ainda constitui um novo foco de pesquisa. (CÁCERES, et. al., 2005).
Um estudo já realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro – SMAC, 2002 publicou que “ As areias das praias do MRJ são frequentemente contaminadas por microrganismos patogênicos provenientes de diversas fontes, tais como: lixo, animais domésticos e línguas negras, representando fator de risco para a saúde humana podendo causar doenças como: hepatite, distúrbios gastrintestinais, desidratação, micoses e doenças parasitárias”. (BOUKAI, 2005)
Já foram encontradas diversas espécies de parasitas patogênicos ao homem como Strongylóide Stercoralis, Toxocara spp, Ascaris Lumbricoides, Ancilostomídeos e outros muitos dos quais são veiculados por animais que transitam livremente pela praia. (CÁCERES, et al,; 2005)
Fatores como temperatura, umidade, chuvas, ventos, grau de exposição à luz solar influenciam no desenvolvimento dos ovos e o tempo de sobrevivência das larvas.
Sempre é uma temática que necessita de estudos, a fim de possibilitar ações governamentais para reduzir o número de contaminações. É válido ressaltar a importância do desenvolvimento de campanhas sócio-educativas, para se incentivar a participação e colaboração da sociedade na perspectiva de se reduzir as disseminações de parasitoses. (CÍCERO, et al, 2012).
Conforme a Lei 7.498/86 de 25 de junho de 1986, artigo 11, o enfermeiro como integrante da equipe de saúde, está apto a realizar Educação em saúde visando à melhoria de saúde do indivíduo, da família e da população em geral.
De acordo com Torres (2009), a grande utilização de ferramentas educativas como método de educação em saúde, vem resultando em uma técnica importante de ensino-aprendizagem. Neste contexto, a elaboração e utilização de cartilhas educativas favorecem a compreensão e o bem-estar do cliente, desenvolvendo habilidades e atitudes, auxiliando na autonomia, com o objetivo de que o paciente entenda como suas atitudes influenciam no padrão de saúde e consequentemente na qualidade de vida.

Objetivo Geral
Identificar os principais parasitas encontrados nas areias da Praia de Santos.

Objetivo Específico
Elaborar uma cartilha de orientação sobre prevenção de doenças parasitárias nas areias de Santos – SP.

Metodologia
Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva com abordagem quantitativa, onde se realizou pesquisa de campo para coleta do material.
A pesquisa foi realizada nos canais da praia de Santos - SP, localizada no Litoral Paulista do Estado de São Paulo.
Foram coletadas 180 amostras de areia de quatro áreas dos trechos mais movimentados da praia, localizados entre o calçadão e o mar. Os pontos foram: playground, quadrado da areia, canal e a areia do mar.
As amostras de areia foram coletadas pelo método de Cáceres, método em zigue-zague que objetiva proporcionar a busca por dados qualitativos no sentido de utilizar todo o espaço delimitado, diminuindo a probabilidade de erro. (SIQUARA; GALDINO, 2011)
Os materiais foram recolhidos com três níveis de profundidade em cada ponto, superfície, profundidade de 10 cm, e de 20 cm. Foi utilizada para a coleta uma espátula de madeira descartável para cada ponto, e profundidade, evitando a contaminação cruzada. Foram recolhidos cerca de 60g de areia, inserido em recipientes descartáveis identificados e armazenados em temperatura ambiente até a próxima etapa.
Após a coleta das amostras, foi realizado o processo de decantação pelo método de Hoffman que consiste em sedimentação espontânea. As amostras são diluídas em água, e são transferidas para um cálice através de uma gaze, dobradas em quatro partes na boca do cálice e ficam em repouso por 24 horas. Passadas essas horas foram feitas lâminas a partir do sedimento. (SANTOS; SOUZA, 2010)
Todas as amostras foram analisadas através de microscopia óptica em aumento de 100x e 400x, para assim avaliar as formas parasitárias (SILVA, 2001).
Ambos os processos de decantação e análise, foram realizados no laboratório de análises clínicas e microscopia do Centro Universitário São Judas – Campus UNIMONTE.
Após a análise das amostras foi elaborado uma cartilha de orientação contendo informações sobre os Agentes patológicos, prevenção e Indicações médicas.


Resultados e Discussão
Das 180 amostras coletadas nos canais da praia de Santos, a prevalência de parasitas foi o Ancylostoma Braziliense, com 26,6% das amostras (gráfico 1). Mesmo sendo encontrados parasitas, 60,7% das amostras deram negativo.

Gráfico 01: Parasitas identificados nas amostras coletadas. Santos – SP, 2017.



Segundo dados da CETESB (2010), os resultados sobre o monitoramento das praias do litoral paulista apontam que a qualidade da água do mar do Estado de São Paulo vem melhorando. No entanto, a contaminação da areia da praia por microrganismos patogênicos continua a ser uma preocupação para a saúde dos usuários das praias paulistas. A contaminação da areia tem origem, além da água do mar e dos rios que desembocam na orla, nas fezes e urinas de animais domésticos, além também, nos resíduos sólidos deixados por frequentadores das praias, ambulantes e quiosqueiros. (CORDEIRO; CHAPTISKI, 2010).
O contato com as areias secas da praia em período de calor, logo após férias e feriados, apresenta uma maior incidência de pessoas, comida e lixo, ocasionando uma maior probabilidade de contaminação. Nos locais onde a areia não tem contato com a água do mar há maior incidência de parasitas devido à baixa salinidade da areia, que em altas quantidades levaria a morte dos parasitas; por outro lado a água fica contaminada por fezes que são trazidas pelos canais existentes nas praias causando diarreia, desconforto abdominal, entre outros sintomas.
Ainda de acordo com os estudos realizados pela CETESB comparando contaminação em amostras de areia nos períodos de primavera e verão, os valores médios foram estatisticamente maiores no verão do que na primavera, e também maior na areia seca do que na areia molhada. (CORDEIRO; CHAPTISKI, 2010).
A transmissão das parasitoses ocorre, na maioria dos casos, por via oral passiva, vinculada a áreas cujas condições higiênico-sanitárias são precárias e à falta de tratamento adequado de água e esgoto, o que facilita a disseminação de ovos e cistos. Muitas vezes, a transmissão é facilitada pelo aumento do contato interpessoal proporcionado pelos ambientes coletivos (MAMUS et al, 2008; MACHADO et al, 1999).
Dentre os helmintos, os mais freqüentes são os nematelmintos Ascaris Lumbricoides e Trichuris Trichiura e os Ancilostomídeos Necator Americanus e Ancylostoma Duodenale. (FERREIRA e VIEIRA, 2006).
No presente estudo foram encontrados Strongyloides Stercolaris, Ancylostoma Braziliense e Giardia Lamblia.
As larvas rabditoides de Strongyloides Stercolaris chegam ao exterior junto com as fezes humanas. As larvas rabditoides transformam-se em larvas filarióides infectantes em 24 – 48 horas. Transformam-se em machos ou fêmeas de vida livre. Penetram na pele (pés principalmente) de forma ativa, ganham a circulação sanguínea e vão ao coração, chegam aos pulmões e iniciam a sua migração pela árvore brônquica chegando até a faringe, podem então ser expelidas junto com a expectoração que provocam ou serem deglutidas chegando ao intestino onde se transformam em fêmeas partenogenéticas. Cerca de 30 dias após a infecção essa forma já inicia a eliminação de ovos larvados que eclodem ainda no intestino delgado.
Em indivíduos imunodeficientes a estrongiloidíase pode disseminar no organismo e tornar-se maligna ou fatal.
Os sintomas gerais são: peso no hipocôndrio direito (semelhante à úlcera duodenal), anemia, diarreia, emagrecimento, desidratação e irritabilidade, formação de edema, eritema, prurido e pápulas hemorrágicas na área penetrada; quando as larvas perfuram os alvéolos, ocorrem hemorragias petequiais, alterações inflamatórias assemelhando-se a pneumonia, também, podendo provocar enterite.
A Ancylostoma Braziliense é um parasita comum de gatos (é encontrado em cães também). Como esses animais defecam no chão (principalmente em terreno arenoso e úmido), os ovos eliminados se desenvolvem liberando L1, sofrendo mudas, chega até L3, infectante. Essa larva penetra ativamente na pele da pessoa (pés, pernas e mãos), fazendo migrações na hipoderme. À medida que as larvas progridem, deixam atrás de si um rastro sinuoso, que é mais conhecido como “bicho geográfico”. A larva migra durante algum tempo (semanas ou meses), depois morre. Provoca prurido intenso. Em casos de reinfecções pode ocorrer hipersensibilidade do paciente, que apresentará crises alérgicas graves.
A giardíase (Giardia lamblia), é uma das causas mais comuns de diarreia entre crianças, que em consequência da infecção, muitas vezes, apresentam problemas de má nutrição e retardo no desenvolvimento.
Os cistos são resistentes e em condições favoráveis de temperatura e umidade, podem sobreviver, pelo menos, dois meses no meio ambiente. Sobrevivem muito tempo embaixo das unhas. A via mais comum de infecção do homem é a ingestão de cistos maduros, que podem ser transmitidos por um dos seguintes mecanismos: ingestão de águas superficiais sem tratamento ou deficientemente tratadas (apenas cloro) e alimentos contaminados (verduras cruas e frutas mal lavadas).
É recomendável que cães e gatos também façam o exame parasitológico e caso haja infecção que sejam tratados.


Educação em Saúde
A Promoção da Saúde, compromisso constitucional do SUS, vincula-se à concepção expressa na Carta de Ottawa, documento em que 35 países ratificaram como ações de saúde aquelas que objetivem a redução das iniquidades em saúde, garantindo oportunidade a todos os cidadãos para fazer escolhas que sejam mais favoráveis à saúde e serem, portanto, protagonistas no processo de produção da saúde e melhoria da qualidade de vida. Logo é um conjunto de estratégias e formas de produzir saúde, no âmbito individual e coletivo, visando atender às necessidades sociais de saúde e garantir a melhoria da qualidade de vida da população. (MALTA, et.al., 2016).
As ações de promoção da saúde são trabalhadas de forma individual, na consulta de Enfermagem, e coletivamente nos grupos de adolescentes, gestantes, planejamento familiar, hipertensos e diabéticos. (GURGEL, et.al., 2011)
É importante ressaltar que a promoção da saúde e a educação em saúde encontram-se intimamente vinculadas e promovem a qualidade de vida no cotidiano das pessoas. (SOUSA, et.al., 2010)
 A educação em saúde se insere no contexto da atuação da enfermagem como meio para o estabelecimento de uma relação dialógico-reflexiva entre enfermeiro e cliente, em que este busque conscientizar-se sobre sua situação de saúde-doença e perceba-se como sujeito de transformação de sua própria vida. (GURGEL, et.al., 2011)
Segundo KRUSCHEWSKY et. al., 2008 a Educação em Saúde tem como objetivo a prevenção das doenças, buscando a mudança de comportamento através do despertar de uma consciência crítica. Pretende-se, desta forma, que o próprio indivíduo garanta a manutenção, aquisição e promoção de sua saúde.
A literatura demonstra que, a educação em saúde é uma ferramenta importantíssima frente essa problemática e uma estratégia muita precisa para trabalhar a temática de Parasitoses Intestinais, pois esta facilita o aprendizado e promove uma melhora na saúde dos indivíduos, já que o conhecimento construído por meio dela poderá auxiliar na prevenção (RODRIGUES et. al., 2013; GOMES, et.al.,2016)
Acreditamos que uma promoção da saúde sobre prevenção a estes parasitas levaria a uma menor incidência de proliferação, divulgando os cuidados profiláticos através de folders e campanhas (figura 1)

Figura 1: Cartilha Educativa elaborada para prevenção de doenças parasitárias nas areias de Santos. Santos – SP, 2017.




Considerações Finais
   O enfermeiro possui um papel fundamental na prevenção de doenças, além do atendimento na parte curativa e atenção terciária, na qualidade de educador, atuando na promoção em saúde, educando e ouvindo as dúvidas da população, fator este que certamente evitará a ocorrência de afecções. Através das ações educativas, desperta na população a consciência de suas necessidades e o desejo de mudanças para alcançar uma vida de melhor qualidade. (TEIXEIRA, 2001)
   O papel do enfermeiro na prevenção e tratamento das doenças parasitárias está diretamente ligado aos cuidados básicos e orientação. Para não haver um contato direto com a areia, deve ser feito o uso de cangas/esteiras; não consumir alimentos e bebidas de lugares duvidosos; fazer uma lavagem correta das mãos após ter ido á praia; não defecar nas areias nem levar animais domésticos ás mesmas.

  1. FONTES CONSULTADAS
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CÁCERES, A.P.S.G.; GONÇALVES, F.A.; CAZORLA, I.M.; CARVALHO, S.M.S.; RBAC, vol. 37(1): 53-55, 2005. Disponível em: <http://sbac.org.br/rbac/031/467.pdf>

CÍCERO, L.H.; QUIÑONES, E.M.; CUNICO, P.; SANTOS, C.L.; Revista Ceciliana Dez 4(2): 44-49, 2012 ISSN 2175-7224 - © 2011/2012 - Universidade Santa Cecília Disponível em< http://www.unisanta.br/revistaceciliana>.

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

ANÁLISE DA QUALIDADE DO AR NOS BAIRROS PERIFÉRICOS AO PORTO DE SANTOS/SP

Revista Aretê Saúde Humana,  Ano 5, Vol.5, Abril/Maio/Junho 2017, Série 18/05   p.21

ANÁLISE DA QUALIDADE DO AR NOS BAIRROS PERIFÉRICOS AO PORTO DE SANTOS/SP
Marcos de Carvalho Alvarez
Cristina Porto
 Katucha Rocha



Alvarez. M.de C.; Porto,C.; Rocha, K.. Aretê Saúde Humana [Blog]. Análise da qualidade do Ar nos bairros periférico ao Port ode Santos/SP 2016. 
Disponível em: http://aretesaudehumana.blogspot.com.br/2016/05/analise-da-qualidade-do-ar-nos-bairros.html 
Trabalho  de Conclusão de Curso apresentado no Centro Universitário do Monte Serrat- Unimonte, Santos,São Paulo,2016

Resumo
O porto de Santos/SP se destaca por representar mais de 50% do Produto interno bruto brasileiro, porém ele também se sobressai por conta da poluição ambiental proveniente de partículas em suspensão, através do carregamento dos navios com grãos. Essas partículas, as MP10, são extremamente prejudiciais à saúde humana, pois adentram o sistema respiratório, causando uma obstrução da via aérea, ocorrendo uma patologia chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Essa patologia desenvolve-se, principalmente, após a exposição a componentes que obstruem as vias aéreas, sendo ela uma das principais causas de mortes no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Este presente trabalho realizou um estudo sobre o impacto ambiental oriundo dessas partículas em suspensão, através de uma análise de dados junto a Companhia de Docas do Estado de São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e a Prefeitura de Santos, no período de janeiro de 2013 a maio de 2016. Foi realizada uma revisão bibliográfica em artigos, jornais, revistas e sites, sobre a problemática, onde os resultados apontaram para uma deterioração da qualidade do ar nos bairros próximos ao porto de Santos.
Palavras-chaves:  Porto de Santos, poluição ambiental, DPOC, qualidade do ar.
Abstract
The port of Santos/SP stands to represent over 50% of Brazil's gross domestic product, but it also stands out due to the environmental pollution from particulate matter, by loading the ships with grains. These particles, PM10, are extremely harmful to human health as they enter the respiratory system, causing airway obstruction, causing a condition called chronic obstructive pulmonary disease (COPD). This pathology develops, especially after exposure to components that obstruct the airways, being the one of the most leading cause of death worldwide, according to the World Health Organization. This present study conducted a study on the environmental impact derived from these particles suspended through an analysis of data from the Society of State docks of São Paulo, the Environmental Company of the State of São Paulo and the Municipality of Santos, from January 2013 to May 2016. This literature review was conducted by articles, newspapers, magazines and Web sites, on issues where the results pointed to a deterioration of air quality in neighborhoods near the port of Santos.
Keywords: Port of Santos, environmental pollution, COPD, air quality.



A cidade de Santos é conhecida, dentre tantas coisas, pelo seu Porto, o maior da América Latina, responsável por mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do nosso país, sendo as principais cargas produtos como o açúcar, cargas conteinerizadas, café, milho, trigo, sal, suco de laranja, papel, automóveis, álcool, soja, etc., porém desde ano de 2013, a cidade sofre com problemas de emissões de partículas em suspensão advindas do descarregamento de grãos nos navios, na área portuária de Santos¹.
A qualidade do ar é estabelecida através de padrões que definem o limite máximo de concentração de agentes poluentes na atmosfera, estes padrões visam garantir a proteção do meio ambiente e principalmente da saúde. A poluição atmosférica compromete os sistemas respiratórios, circulatórios e até oftalmológicos, sendo o sistema respiratório a principal via de entrada desses poluentes. Por meio da respiração, os poluentes adentram as vias respiratórias, por meio das narinas chegando aos alvéolos pulmonares, ocasionando muitos processos de inflamatórios que causam graves danos e debilitam o sistema respiratório².
O material particulado, que fica em suspensão no ar, é um termo convencional e genérico para uma classe de substancias químicas existentes na atmosfera na forma de partículas. Essas partículas variam de 0 a 100 μm de diâmetro, sendo aquelas com diâmetros inferiores a 10 μm (MP10) muito prejudiciais para a saúde humana a exposição as altas concentrações a esse material particulado, em particular a MP10, pode ser associada a graves danos no sistema respiratório, por conta da inalação dessas partículas, sendo o principal problema o aparecimento das doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC) 2.
A DPOC é uma das principais causas de hospitalização e óbitos no mundo. É definida como a limitação do fluxo aéreo, podendo ser ou não totalmente reversível, o curso dessa doença é crônico e progressivo, sempre associada à uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas devido ao contato com partículas ou gases tóxicos. Os principais sintomas clínicos se caracterizam por uma tosse crônica, aumento da produção de escarro e dispneia. E o principal fator de risco para o desenvolvimento dessa doença são o tabagismo – mesmo que passivo –, produtos químicos ou inalação de partículas e poluentes3.
Por conta da elevada presença de partículas em suspensão já documentadas nos relatórios da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) sobre os bairros próximos ao porto na cidade de Santos causando severos danos aos moradores que ali residem, essa pesquisa auxiliará na obtenção de novos resultados que possam minimizar o impacto ambiental gerado pelo embarque dos produtos no Porto de Santos/SP, que causam severos danos aos moradores que ali residem.
Este estudo teve como objetivo realizar um estudo sobre o impacto ambiental oriundo dessas partículas em suspensão nos bairros próximos ao Porto de Santos, no período de janeiro de 2013 até maio de 2016. Estes dados estatísticos foram relacionados com a pluviosidade com a quantidade de partículas em suspensão, verificando assim a relação entre essa poluição atmosférica causada partículas em suspensão e a DPOC.
O município de Santos é conhecido por diversas formas, porém a mais lembrada é que ela abriga o maior porto da América Latina, inaugurado em 1892.O porto contém uma área com mais 7,8 milhões de metros quadrados e hoje é responsável por mais 50% do Produto Interno Bruto brasileiro4,5.
O problema ambiental causado pelo porto ocorre no momento, quando os navios são carregados por granéis através de um maquinário chamado Ship-Loader, que tem como função levar o granel do armazém até o navio. Esse granel é transportado sobre esteiras, levado até a lança da máquina, que consiste em uma estrutura curvilínea que faz com que o granel escorra até o fundo do porão do navio. A partir deste despejo do granel, acontece a suspensão de partículas em suspensão as MP10 6.
Material particulado é um termo que é, normalmente, dado a uma grande classe de substancias químicas que existem atmosfera terrestre na forma de partículas, podendo ser classificadas como primárias, cujo são emitidas diretamente na atmosfera, e secundárias, aquelas que são formadas ou sofrem modificações na atmosfera a partir da transformação de gases e vapores particulados7.
O diâmetro dessas partículas variam de 0 a 100 microns, sendo aquelas inferiores a 10 microns (MP10) muito danosas para os seres humanos. Elas se dividem em partículas inaláveis finas (<2,5μm) e partículas inaláveis grossas (de 2,5μm a 10 μm).  Essas partículas MP10, também chamadas de partículas inaláveis grossas, na atmosfera, são resultado de processos mecânicos, como, por exemplo, “ressuspensão” de poeira. No período do inverno, as coisas são mais favoráveis para a alta concentração desses materiais particulados em suspensão, por conta da diminuição das chuvas, ventos de baixas velocidades, pouco ocorrência de inversão térmica, etc8.
Essas partículas MP10­, são danosas para a saúde humana, pois podem causas uma série de efeitos adversos que vão desde desconforto até a morte. Algumas dessas adversidades incluem irritações das vias aéreas e dos olhos, redução na capacidade pulmonar, bloqueia das vias aéreas, suscetibilidade a infecções virais e bacterianas, doenças cardiovasculares, redução da capacidade física, cefaleia, alterações metabólicas, danos ao sistema nervoso central, alterações genéticas e desenvolvimento de tumores malignos. Quando essas partículas penetram os tecidos pulmonares, causam bloqueios e irritando as passagens de ar, podendo causa efeitos tóxicos, como por exemplo, a fibrose pulmonar nos operários que lidam com amianto e o enfisema e a bronquite em habitantes das cidades que estão com acúmulos de partículas em suspensão8.
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) refere-se a uma doença que causa um bloqueio no fluxo de ar, que não é totalmente reversível, de caráter progressivo, associada a uma resposta inflamatória pulmonar através, normalmente, da inalação de substancias tóxicas, sendo principal fator para o desenvolvimento dessa doença. Os portadores dessa doença, normalmente, apresentam características fisiopatológicas de doenças como Bronquite Crônica e Enfisema Pulmonar3.
A DPOC sempre ocupou uma posição importante entre as doenças que mais causam morte e morbidade em todo mundo. Conforme a estimativa da Organização Mundial de Saúde, em 2002 a DPOC ocupava o quinto lugar entre as principais causas de morte, sendo que até 2030, ela pode ocupar a terceira posição. No Brasil, cerca de cinco milhões de pessoas sofram com essa doença, e já a 5ª maior causa de internação no SUS nos últimos dez anos3.

Por se tratar de uma doença crônica, ela frequentemente inicia-se com uma tosse, dispneias e limitação da capacidade em realizar alguma atividade física e/ou do dia-a-dia, se tornando cada vez mais intensa e surgindo através de esforços cada vez menores. E esses sintomas, aparecem, normalmente, em pessoas com mais de 40 anos3.
Este processo inflamatório crônico produz alterações dos brônquios, portanto ocasionando um quadro de bronquite crônica e do parênquima pulmonar, causando um enfisema pulmonar, fazendo com o paciente, geralmente, apresente essas duas patologias de forma concomitante e de graus variados9.
O diagnóstico é clinico e deveria ser considerado para toda a população expostas a substancias toxicas que apresentam a sintomatologia da DPOC: dispneia, tosse crônica e expectoração. Esses critérios clínicos já são suficientes para fechar o diagnóstico da DPOC, porém, recomenda-se a confirmação pelo exame de espirometria10.

Método
No presente estudo, foi efetuada uma análise dos dados levantados junto a Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), Prefeitura de Santos e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), confrontando-os para identificar a relação do desembarque dos produtos no Porto com a chuva e a poluição atmosférica. Além disso, será realizada uma revisão bibliográfica em artigos científicos, jornais, revistas e sites, sobre a problemática da poluição ambiental e danos causados pela inalação das partículas MP10.

Resultados
O monitoramento da qualidade do ar no município Santos, se dá pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a CETESB. Hoje o município conta com duas estações automáticas, a Estação Santos que tem como função avaliar o ar médio da região central da cidade e medir a concentração dos poluentes atmosféricos às quais a população está exposta, e a Estação Santos – Ponta da Praia – EM, que tem como objetivo avaliar os impactos das emissões dos poluentes advindos da atividade portuária7.
 O período de monitoramento considerado neste trabalho foi de janeiro de 2013 até maio de 2016. A partir das informações obtidas, foram realizadas as análises, bem como a interpretação dos resultados e a construção dos gráficos e quadros a seguir.

Gráfico 1. Distribuição dos resultados da análise diária da qualidade do ar na Estação Santos entre os anos de 2013 e 2016.

Fonte: Cetesb, 2016

Os valores apresentados no gráfico 1 demonstra que os resultados obtidos na estação Santos, apresentaram uma melhora, crescente, da qualidade do ar entre os anos 2013 e 2015, evidenciado pelo aumento dos dias que apresentaram uma boa qualidade do ar, respeitando os níveis estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Já no que diz respeito ao presente ano de 2016, aponta para que essa boa qualidade do ar se mantenha ao longo do ano.

Gráfico 2. Distribuição dos resultados da análise diária da qualidade do ar na Estação Santos - Ponta da Praia - EM entre os anos de 2013 e 2015.

Fonte: CETESB, 2016

Os valores apresentados no gráfico 2, demonstra que nos anos de 2013 e 2014, o ar, por mais que tenha se apresentado de forma boa na maior parte do ano, ele também se apresentou de forma deteriorada em uns alguns dias do ano, o que já demonstra a existência de uma poluição ambiental naquela região, causada pela atividade portuária que é responsável pela formação da MP10. Já no ano de 2015, o ar se apresentou de forma boa, pois nesse ano, houve um crescimento do indicie pluviométrico na cidade o que explicaria essa melhora da qualidade do ar, pois quando ocorre a chuva, pois esta chuva incorpora uma parcela significativa desses poluentes atmosféricos, levando essas partículas ao solo e também evitando que haja uma ressuspensão destas para a atmosfera. Também não ocorre o perigo de formação de chuvas ácidas, pois essas partículas em suspensão não possuem características químicas necessárias para acidificar as gotas de chuva. E no presente ano de 2016, demonstra que o Município de Santos deverá ter uma boa qualidade do ar.

O gráfico 3, a seguir, demonstra o número de internações por pessoas acometidas por problemas respiratórios no SUS, no município de Santos.


Gráfico 3. Números totais de internações por doenças respiratórias entre os anos de 2013 e 2015

Fonte: DATASUS, 2016

Este gráfico 3 aponta que durantes estes anos, houve um crescimento no número de internações no SUS, por conta de doenças respiratórias, o que pode se levar em conta, que este problema pode estar relacionado as concentrações elevadas de partículas em suspensão, conforme as análises feitas por esta pesquisa.

Discussão 

Com o aumento crescente do volume de graneis vindo ao porto de Santos e somados com o crescimento do volume portuário, este problema com a poluição do ar com elevadas concentrações de MP10, tende a se prolongar ao longo dos anos caso as autoridades responsáveis não tomem medidas cabíveis para controlar tal situação.
Um fato que compactua com essa afirmação, de que este problema da poluição do ar, é que há uma falta de leis que auxiliem no controle desta problemática que vem se arrastando ao longo do tempo.
As decisões na esfera política, aparentemente, sugerem que a preocupação com a questão econômica prevalece sobre as questões ambientais, que neste caso ignora o bem-estar e a qualidade de vida dos moradores próximos ao porto de Santos e também, das pessoas que trabalham diretamente com essa área.
Os resultados indicam que o controle ambiental está sendo feito ao acaso pela natureza, isto é, nessa situação a melhoria está condicionada a ocorrência de chuvas e ventos, os quais reduzem as concentrações de MP10 no ar.
Pessoas do grupo de risco (crianças, idosos, pessoas com imunidade fragilizada) e pessoas com problemas pulmonares, apresentam maiores chances de padecer com a DPOC, se moram próximas ao porto de Santos. Um paliativo para minimizar este risco, poderia ser um alerta à população e oferecer informações sobre a programação de carregamentos portuários, para evitar a inalação dessas partículas, com a utilização de mascaras nos horários em que ocorresse esse carregamento dos navios, com produtos que geram suspensão de partículas. Então, enquanto não há mudanças perante a esses procedimentos de carregamento dos navios, deveria haver uma intensificação da fiscalização ambiental, para que houvesse um maior controle da qualidade do ar e evitasse com que mais pessoas sejam afetadas por esse tipo de poluição ambiental.
Na questão de reduzir a liberação de partículas na atmosfera, deveriam introduzir melhorias tecnológicas no processo de carregamento dos navios. Como sugestão, a criação de possíveis coberturas para os porões dos navios, onde apenas o bico do shiploader se encaixasse e pudesse fazer o descarregamento dos materiais.
Até o presente momento não há nenhuma normativa ou lei ambiental especifica para uma solução definitiva deste problema que vem afetando o município de Santos, fazendo com que população que sofre, diretamente, com esse tipo de problema ambiental, dependa, exclusivamente, das condições meteorológicas, para se obter uma boa qualidade do ar.

Referências bibliográficas

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3. POSADA, WALTER A. et al, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: uma revisão sobre os efeitos da educação dos pacientes. Rev Ciênc Farm Básica Apl., 2014;35(4):533-538 ISSN 1808-4532., Rio Grande do Sul, 2014.

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Acesso em: 30 de mar. 2016.

5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Senso da Cidade de Santos. Disponível em:

6. Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). O porto de santos. Disponível em: http://web.antaq.gov.br/Portal/pdf/Portos/2012/Santos.pdf  Acesso em: 10 de fev. 2016.

7. RIBEIRO, EGBERTOF. Logística portuária.
Disponível em: http://docslide.com.br/documents/operacaoportuaria.html Acesso em: 31 de mar. 2016

8. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). Relatório da avaliação da Qualidade do Ar no município de Santos. Disponível em: http://ar.cetesb.sp.gov.br/wp-content/uploads/sites/37/2013/12/Relat%C3%B3rio-Santos-2015.pdf Acesso em: 8 de abril 2016.

9. ALMEIDA, IVO T. A poluição atmosférica por material particulado na mineração a céu aberto. 1999, 186 f. Dissertação – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

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11.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de atenção básica para doenças respiratórias crônicas. 2010, 161 f., Brasília/DF. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_respiratorias_cronicas.pdf
 Acesso em:18 de mar. 2016

12. DATASUS; Pesquisa sobre o número de internações por conta de doenças respiratórias no município de Santos, São Paulo. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/sxuf.def  Acesso em: 18 de maio 2016.