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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O USO DO MÉTODO DA APRENDIZAGEM JIGSAW ADAPTADO AO ENSINO DA DISCIPLINA DE BASES BIOLÓGICAS ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS NO CURSO DE ENFERMAGEM DAS FACULDADES OSWALDO CRUZ-SP-2017

Revista Aretê Saúde Humana,  Ano 5, Vol.5, Out/Nov/Dez 2017,Série 15/12, p.23
O USO DO MÉTODO DA APRENDIZAGEM JIGSAW ADAPTADO AO ENSINO DA DISCIPLINA DE BASES BIOLÓGICAS ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS  NO CURSO DE ENFERMAGEM DAS  FACULDADES OSWALDO CRUZ-SP-2017 

*Eric Boragan Gugliano 

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  Gugliano ,E.B. Aretê Saúde Humana [Blog].  O uso do método da aprendizagem Jigsaw adaptado ao ensino da disciplina de Bases Biológicas  Estruturais e Funcionais no curso de Enfermagem. Curso de Graduação em Enfermagem- Faculdade de Enfermagem Oswaldo Cruz (FEOC). 2017 São Paulo, Set. 2017. 
Disponível em:  https://aretesaudehumana.blogspot.com/2017/12/o-uso-do-metodo-da-aprendizagem-jigsaw.html

* Prof. Ms Disciplina Bases Biológicas Estruturais e Funcionais -FEOC (Faculdade de Enfermagem Oswaldo Cruz) - eric.gugliano@gmail.com
           RESUMO

            A aprendizagem significativa depende do conhecimento prévio do aluno sobre o assunto e a relação que ele faz com o novo aprendizado. O relacionamento do aluno com outros indivíduos envolvidos no processo também contribui consideravelmente na compreensão e retenção dos novos conteúdos. O método Jigsaw (quebra-cabeças) é um método cooperativo desenvolvido nos anos 70, sendo a característica principal sua natureza social o que permite uma melhor interação entre os estudantes. O objetivo desse trabalho foi a aplicação da metodologia do aprendizado Jigsaw em conceitos iniciais na disciplina de Bases Biológicas Estruturais e Funcionais em alunos do primeiro ano da Faculdade de Enfermagem Oswaldo Cruz (FEOC), além da promoção da interação entre os alunos. A metodologia foi adaptada em três semanas (N =28). Na primeira semana  foram formados  quatro grupos com sete alunos e para cada aluno do grupo foi destinado um link de acesso com um tema diferente do restante do grupo. Na segunda semana os alunos foram separados de seu grupo de origem por especialidades (GRUPO ESPECIALISTAS) e tiveram o tempo de uma aula para discutirem o conteúdo e aperfeiçoarem o aprendizado.  Na segunda aula, cada aluno voltou ao seu grupo  original e expôs o conteúdo aprendido aos demais (GRUPO DE BASE). Na terceira semana foi realizada uma avaliação (sem comunicação prévia) sobre o conteúdo estudado, abordando principalmente quatro conceitos: célula bacteriana e flora normal; diferenças de tempo de regeneração das células dependendo do órgão; manipulação de células em laboratório; o que são células tronco. Foram descartadas duas avaliações por utilizarem pesquisa externa. A avaliação dos principais conceitos apresentou retenção de aprendizagem( N=26) acima de 70% .O método Jigsaw obteve bastante receptividade entre os alunos e demonstrou ser eficiente na retenção de aprendizagem e promoção da interação entre os alunos.


1-INTRODUÇÃO

  O processo de aprendizagem acontece a partir da aquisição de conhecimentos, habilidades, valores e atitudes através do estudo, do ensino ou da experiência.  O professor deve criar situações de aprendizagem em que o aluno participe ativamente desse processo, ainda que a fonte desse conhecimento possa estar tanto no exterior (meio físico, social) como no seu interior (Piletti, 2011 apud  Tabile, 2017).

  A aprendizagem significativa depende do conhecimento prévio do aluno sobre o assunto e a relação que ele faz com o novo aprendizado e o relacionamento do aluno com outros indivíduos envolvidos no processo (Aprendizagem Cooperativa)  contribui consideravelmente na compreensão e retenção dos novos conteúdos.


  Uma das características da Aprendizagem Cooperativa é a sua natureza social, pois os estudantes interagem e compartilham suas ideias, melhorando sua compreensão individual e mútua. A aprendizagem ocorre em seu meio particular, no qual se desenvolvem habilidades intelectuais e interpessoais e se estabelecem relações sociais (Fatareli, et al, 2010).


  As situações de aprendizagem cooperativa acontecem em agrupamentos de estudantes, que ficam em posição privilegiada para vivências cognitivas, psicológicas e sociais, aprendendo a “evoluir”  numa contextura entusiasmante ( Bertrand, 2001  apud  De Sá, 2015).


   Os Estudos da Aprendizagem Cooperativa começaram nos anos 70 e obedecem cinco princípios básicos: 1)- A interdependência positiva, onde os alunos envolvidos saibam que o sucesso depende de todos os envolvidos. 2)- Responsabilidade Individual: uma vez que cada participante deve se esforçar, deve contribuir ativamente na discussão. 3)- Competências Cooperativas, que envolve a habilidade de compreender o tema e encontrar uma maneira didática de transmiti-lo aos demais. 4)- Competências de Interação- Envolvem o uso adequado das habilidades interpessoais.  5)- Interação face a face - que coordena os esforços para atingir o mesmo objetivo (Leite, et al 2013)


   Vários autores, portanto, admitem que a  metodologia  cooperativa é uma metodologia estimulante, ativa e aberta e que nenhuma equipe sai vencedora e  que podem ser aplicadas em vários níveis de escolaridade e que os próprios professores  podem inventar alguma dessas práticas (De Sá, 2015).


FIGURA 1- Conceito Genérico de Aprendizagem Cooperativa- (De Sá, 2015)

   O método Jigsaw (quebra-cabeças) é um método cooperativo desenvolvido em 1978 por Aronson e cols., sendo a característica principal sua natureza social o que permite uma melhor interação entre os estudantes. Nesse método, em uma primeira fase, os alunos são distribuídos em grupos de base e um determinado tópico é discutido por todos de cada grupo. O tópico é subdividido em tantos subtópicos quantos os membros do grupo. Numa segunda fase, cada aluno estuda e discute com os membros dos outros grupos a quem foi distribuído o mesmo subtópico, formando assim um grupo de especialistas. Posteriormente, cada um volta ao grupo de base e apresenta o que aprendeu sobre o seu subtópico aos seus colegas, de maneira que fiquem reunidos os conhecimentos indispensáveis para a compreensão do tópico em questão. Cada estudante precisa aprender a matéria para ‘si próprio’ e também explicar aos seus colegas, de forma clara, o que aprendeu (Cochito, 2004 Apud Fatarelli et al, 2010 )

2-OBJETIVOS

  O objetivo desse trabalho foi a aplicação da metodologia do aprendizado Jigsaw adaptado em conceitos iniciais na disciplina de Bases Biológicas Estruturais e Funcionais no início do ano letivo em 2017  em alunos do primeiro ano da Faculdade de Enfermagem Oswaldo Cruz (FEOC), além da socialização entre os alunos nas primeiras semanas das aulas.


2-PROCEDIMENTO

  Conceitos iniciais trabalhados no projeto:
Uso da biotecnologia na saúde atual e sua história.
Uso de células tronco na saúde.
Conceitos de  mitose e a relação com a regeneração de tipos diferentes de tecidos morfológicos.
Exemplos de especialização celular.
Curiosidades

   Semana 1- No final da aula foi dada a orientação para a divisão dos grupos em 07 alunos por grupo e foram entregues para cada aluno de cada grupo o link que deveria acessar e ler para a próxima semana.. Não foi dada nenhuma orientação nesse momento sobre os procedimentos das semanas seguintes.
N= 28  -  Divisão em 04 grupos com 07 alunos cada.

  Semana 2 (Aula 1)- Formação do Grupo de Especialistas-  Os grupos foram formados por temas durante a primeira  aula para discutirem o que aprenderam.  Foi escolhido o espaço aberto do pátio do prédio 3 com o objetivo de sair do espaço fechado da sala de aula..


  Semana 2- (Aula 2)- Retorno ao grupo Base - Os alunos especialistas voltaram para seu grupo de origem e explicaram o que aprenderam ao restante do grupo. Coube ao professor apenas passar pelos grupos e observar, falando apenas quando questionado.


  Semana 3
(Avaliação para coleta de retenção de aprendizagem) - Foi aplicada avaliação para observação na retenção da aprendizagem e duas avaliações foram descartadas porque houve consulta de fontes  durante o processo avaliativo. Essa avaliação não foi avisada previamente e não tinha critérios de somatória de nota.

 FIGURA 2- Etapas da Procedimento. O autor. São Paulo. 2017


 FIGURA 2- Distribuição dos alunos nos grupos ( Fatarelli et al, 2010 )
  

A)- SEMANA 1- FORMAÇÃO DO GRUPO DE BASE:


  Abaixo, as perguntas e os links que foram distribuídos para cada aluno de cada grupo.


1-Quanto tempo o corpo humano leva para se regenerar?



Fonte: Uol Notícias Ciências e Saúde
Disponível em:

https://noticias.uol.com.br/ciencia/infograficos/2013/05/31/regeneracao-do-corpo-humano.htm.    Acesso em Nov.2017




2-Você sabia que as células do seu corpo não são humanas?





3-Fábrica de Órgãos



Fonte: Superinteressante
Disponível em: 

http://super.abril.com.br/ciencia/fabrica-orgaos-444053.shtml   Acesso em Nov.2017




4-HELAS


Fonte: Superinteressante
Disponível em: 

http://super.abril.com.br/ciencia/helas-celulas-dominaram-mundo-626282.shtml  Acesso em NOv.2017




5-O milagre da multiplicação dos neurônios




6-Vire um diamante.



Fonte: Superinteressante

Disponível em: 




7-Células tronco já são cura para mais de 45 doenças.



Fonte: Renorbio

Disponível em: 
http://www.renorbio.org.br/portal/noticias/celulas-tronco-ja-sao-cura-para-mais-de-45-de-doencas.htm  Acesso em Nov.2017 





B)- SEMANA 2- USO DO ESPAÇO FORA DA SALA DE AULA PARA OS GRUPOS ESPECIALISTAS E RETORNO AO GRUPO DE BASE.





C)-SEMANA 3- AVALIAÇÃO

Foram realizadas 04 perguntas em forma de avaliação individual e sem consulta:
N=26

Ø1- Quanto tempo o corpo demora para se regenerar?
Ø2- Por que a maioria das células não são humanas?
Ø3- É possível cultivar células em laboratório?
Ø4- O que são células tronco e quais terapias podem ser utilizadas?


3)-RESULTADOS

3-A) FREQUÊNCIA TOTAL DE ACERTOS

Tabela 1: Número de alunos por  frequência de assertividade em todas as questões São Paulo 2017.


3-B) - DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE ALUNOS POR PORCENTAGEM DE ASSERTIVIDADE

Gráfico 1: Número de alunos por porcentagem de assertividade em todas as questões. São Paulo



3-C)- FREQUÊNCIA DE ASSERTIVIDADE POR HABILIDADES.








 4-DISCUSSÃO

  A estratégia Jigsaw demonstrou a retenção do conhecimento em torno de 70% da sala em relação ao conhecimento inicial da disciplina de Bases Biológicas Estruturais e Funcionais. Foram realizadas apenas 04 perguntas e avaliadas as habilidades que foram classificadas por letras (A,B,C,D,E,F,G,H,I,J,K,L,M,N) e descritas nas tabelas acima.  Na questão 1 (Quanto tempo o corpo demora para regenerar) a habilidade A (Diferenças de tempo entre os órgãos) é quando o aluno explicou que há diferenças entre regeneração dependendo do tipo de tecido. Na habilidade B (Exemplos de òrgãos) o aluno lembrou do tempo de regeneração e soube citar exemplos. Portanto, cada letra nas questões seguintes (2,3,4)  representam também uma habilidade a ser avaliada,assim como o  ítem avaliativo que incluiu conceito errado ou mesmo não lembrou. 

  O Professor passou pelos grupos e manteve a postura apenas de observação, mantendo muito cuidado para não se tornar figura ativa no processo da discussão dos grupos. Esse cuidado deve ser tomado  pois tanto o professor como o aluno estão viciados na relação do aprendizado onde o professor se torna o instrumento ativo do processo. Foi possível avaliar as experiências prévias trazidas por alguns alunos do ensino médio tanto para  a facilidade como para a  dificuldade de comunicação.

  As principais habilidades estudadas  (A,E,H,K) tiveram retenção em torno de aprendizagem acima de 70% dos alunos:
Habilidade A- O aluno soube conceituar sobre o processo de divisão celular e diferenciar o tempo de regeneração  entre os órgãos (acerto de 77% da sala).
Habilidade E- O aluno soube identificar que o organismo humano apresenta muito mais células bacterianas presentes, participando da Microbiota Humana (acerto de 73% da sala)
Habilidade H-  O aluno lembrou da história da manipulação da célula de Henrietta Lacks (Hella) que marcou o avanço da biotecnologia desde 1951 (acerto de 100%).
Habilidade K- O aluno soube explicar o que são células tronco (acerto de 76%).


  Houve uma queda na retenção da  aprendizagem ao citar exemplos, mas mesmo assim ficou em torno de 50% da sala: Habilidade B-Exemplos de Órgãos(46%); Habilidade I - Exemplos de cultura de células (57%) e Habilidade L - Exemplos de Terapias com Células Tronco (60%).

  A aprendizagem significativa depende do conhecimento prévio do aluno e da interação social.e o uso de metodologias ativas fora da sala da aula são instrumentos motivacionais. A Estratégia Jigsaw demonstrou a retenção da aprendizagem acima de 70% da sala nas principais habilidades e uma frequência de retenção geral (tabela 1) de 0,81, cumprindo com os objetivos na retenção da aprendizagem  inicial  da disciplina,  na interação entre os alunos ingressantes na Faculdade e na observação das experiências trazidas pelos alunos do Ensino Médio.

  O método Jigsaw obteve bastante receptividade entre os alunos e demonstrou ser eficiente na retenção de aprendizagem e promoção da interação entre os alunos.


REFERÊNCIAS

DE SÁ, D.M.B. Aprendizagem Cooperativa - Aplicação dos métodos Jigsaw e Graffiti Cooperativo com alunos do 5º ano de escolaridade.  Dissertação apresentada à Escola Superior de Educação de Bragança para obtenção do grau de Mestre em Ensino das Ciências.Instituto Politécnico de Bragança. Bragança- SP 2015. 
Disponível em:<https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/11753/1/Dora%2C%20disserta%C3%A7%C3%A3o.pdf> Acesso em 20/11/2017

FATARELI,E.F.; FERREIRA, L. N. de A.; FERREIRA, J. Q.; QUEIROZ, S. L.;  Método Cooperativo de Aprendizagem Jigsaw no Ensino de Cinética Química. Disponível em: <http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/quimica/sbq/QNEsc32_3/05-RSA-7309_novo.pdf> Acesso em 01/01/2017

LEITE,I.S; LOUREN,A.B; LICIO,J.G.; HERNANDES, A.C. Uso do método cooperativo de aprendizagem Jigsaw adaptado ao ensino de nanociência e nanotecnologia. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 35, n. 4, 4504 (2013) Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/rbef/v35n4/a15v35n4.pdf> Acesso em 15/11/2017

TABILE, A.F; JACOMETO, M.C.D. Fatores influenciadores no processo de aprendizagem: um estudo de caso.  Rev. psicopedag. vol.34 no.103 São Paulo  2017. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000100008>

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

AULA INTEGRADA DA DISCIPLINA DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM SOBRE A REALIZAÇÃO E ANALISE DO GRÁFICO ELETROCARDIOGRAFICO –Um relato de Experiência

Revista Aretê Saúde Humana,  Ano 5, Vol.5,Jul/Ago/Set 2017, Série 20/09, p.22

AULA INTEGRADA DA DISCIPLINA DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM SOBRE A REALIZAÇÃO E ANALISE DO GRÁFICO ELETROCARDIOGRAFICO –
Um relato de Experiência
Caio Luisi¹
Estela Mara Nicolau²


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LUISI,C.; NICOLAU, E.M. Aretê Saúde Humana [Blog]. Aula Integrada da Disciplina de Cuidados de Enfermagem sobre a realização e análise do gráfico eletrocardiográfico- Um relato re experiência. Curso de Graduação em Enfermagem- Faculdade de Enfermagem Oswaldo Cruz (FEOC). 2017 São Paulo, Set. 2017. 
Disponível em: <https://aretesaudehumana.blogspot.com/2017/09/aula-integrada-da-disciplina-de.htm>l


Introdução:

 Um dos grandes desafios da educação atual é tentar melhorar o entendimento e a interpretação dos discentes, pois segundo MITRE et al (2008) o processo ensino-aprendizagem, contaminado, tem se restringido, muitas vezes, à reprodução do conhecimento, no qual o docente assume um papel de transmissor de conteúdo, ao passo que, ao discente, cabe a retenção e repetição dos mesmos, em uma atitude passiva e receptiva, tornando-se mero expectador, sem a necessária crítica e reflexão. Então como tentativa de evitar a fragmentação dos conhecimentos e melhorias dos processos educacionais, podemos utilizar de novos métodos de ensino, também afirmado por SOUZA et al(2014),mostrando que a escolha e execução de uma estratégia pode propiciar aos alunos o uso das variadas operações mentais, num processo de crescente complexidade do pensamento. 

 Um dos métodos que está sendo cada vez mais discutido e utilizados é a metodologia ativa de ensino, que segundo SOUZA et al (2014) proporciona o desenvolvimento da inteligência relacional, autonomia e maior responsabilidade sobre o auto aprendizado, priorizando o trabalho em grupos ou equipes. 

 Dentre os cuidados de enfermagem, se encontra a capacidade técnica para analisar e realizar o eletrocardiograma (ECG). FERNANDES et al (2015) refere-se ao ECG como um método seguro, rápido, de simples realização, de alta qualidade e de baixo custo que avalia a atividade elétrica cardíaca sendo um grande indicador da funcionalidade deste órgão. A partir deste pressuposto surge a necessidade do aprendizado adequado, para que se evite as interpretações errôneas. Surge a intenção de capacitar os alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclo do curso de enfermagem, a realizar a análise gráfica e a utilização e cuidados do equipamento eletrocardiográfico por meio do ensino integrado.

 Metodologia:

 Trata-se de um relato de experiência da disciplina de cuidados de enfermagem, onde será descrito o olhar do docente perante a aceitação e interesse do aluno. 
     
 Sendo realizado uma exposição integrada, ministrada pelos docentes  autores, com os discentes de primeiro, segundo e terceiro ciclo do curso de enfermagem de uma faculdade zona central da cidade de São Paulo, onde foi abordado cada uma das propriedades cardíacas, demostrando suas inter-relações, a fisiológica da condução elétrica cardíaca e a suas representações gráficas. Ao termino das explicações do conteúdo teóricas, foi demonstrado a utilização do aparelho eletrocardiograma e os cuidados no seu manuseio, após os discentes realizaram a instalação dos eletrodos e avaliação dos traçados eletrocardiográficos.

Discussão e Resultados:

 Após o entendimento da necessidade de uma nova abordagem metodológica que seja capaz, de desenvolver a capacidade de pensar, mas também conseguir inserir o conhecimento na prática da vida real. Para encontrar este objetivo foi escolhido com forma, a exposição integrada, realizada por dois docentes durante a disciplina de cuidados de enfermagem. O primeiro docente, explanou sobre a importância do procedimento e necessidade da aprendizagem, como exposto por KLIGFIELD P; GETTES LS; et al (2007), que relata que o ECG é indispensável para o diagnóstico e pronto início do tratamento de síndromes coronarianas agudas, é o meio mais preciso de diagnóstico de distúrbios de condução intraventricular e arritmias.

 Durante a explicação fisiológica, iniciou-se as interações dos docentes onde as informações eram complementadas e adicionais, expostas com técnicas diferentes, facilitando assim o entendimento por apresentar de diferentes formar e maneiras as informações. Durante este processo foi nítido o aumento do interesse e atenção, estimulando cada vez mais os docentes e elevando a qualidade da aula. Mesmo após, o termino do período estipulado, ainda existia grande interesse e duvidas, que levou ao um acréscimo de tempo. Além deste crescente interesse houve também a grande absorção do conteúdo percebido após a aplicação de questões orais simples aos discentes.

 Estes fatos demostraram o quão efetivo foi este tipo de abordagem, fazendo com que haja interesse em repetir e garantir está melhor performance. Já sendo proposto uma nova exposição com outros temas em um próximo momento e em reproduzir em outras disciplinas da instituição.  
Referências:

1. Mitre SM, Siqueira-Batista R, Girardi-de-Mendonça JM, Neila Morais-Pinto M et al. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciênc saúde coletiva. 2008; 13(Sup 2):2133-44. 

2. SOUZA CS; INGLESIAS AL et al. Estratégias inovadoras para métodos de ensino tradicionais- aspectos gerais. FMRP. Ribeirão Preto.2014;47(3):284-92.

3. FERNADES LS; LIRA MCLS; et al. Conhecimento teórico-prático da enfermagem sobre eletrocardiograma. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, 2015;29(2): 98-105.

4. KLIGFIELD P; GETTES LS; et al. Recommendations for the Standardization and Interpretation of the Electrocardiogram. Journal of the American College of Cardiology. 2007; (115):1306-1324

quinta-feira, 18 de maio de 2017

ANÁLISE DA QUALIDADE DO AR NOS BAIRROS PERIFÉRICOS AO PORTO DE SANTOS/SP

Revista Aretê Saúde Humana,  Ano 5, Vol.5, Abril/Maio/Junho 2017, Série 18/05   p.21

ANÁLISE DA QUALIDADE DO AR NOS BAIRROS PERIFÉRICOS AO PORTO DE SANTOS/SP
Marcos de Carvalho Alvarez
Cristina Porto
 Katucha Rocha



Alvarez. M.de C.; Porto,C.; Rocha, K.. Aretê Saúde Humana [Blog]. Análise da qualidade do Ar nos bairros periférico ao Port ode Santos/SP 2016. 
Disponível emhttp://aretesaudehumana.blogspot.com.br/2016/05/analise-da-qualidade-do-ar-nos-bairros.html 
Trabalho  de Conclusão de Curso apresentado no Centro Universitário do Monte Serrat- Unimonte, Santos,São Paulo,2016

Resumo
O porto de Santos/SP se destaca por representar mais de 50% do Produto interno bruto brasileiro, porém ele também se sobressai por conta da poluição ambiental proveniente de partículas em suspensão, através do carregamento dos navios com grãos. Essas partículas, as MP10, são extremamente prejudiciais à saúde humana, pois adentram o sistema respiratório, causando uma obstrução da via aérea, ocorrendo uma patologia chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Essa patologia desenvolve-se, principalmente, após a exposição a componentes que obstruem as vias aéreas, sendo ela uma das principais causas de mortes no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Este presente trabalho realizou um estudo sobre o impacto ambiental oriundo dessas partículas em suspensão, através de uma análise de dados junto a Companhia de Docas do Estado de São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e a Prefeitura de Santos, no período de janeiro de 2013 a maio de 2016. Foi realizada uma revisão bibliográfica em artigos, jornais, revistas e sites, sobre a problemática, onde os resultados apontaram para uma deterioração da qualidade do ar nos bairros próximos ao porto de Santos.
Palavras-chaves:  Porto de Santos, poluição ambiental, DPOC, qualidade do ar.
Abstract
The port of Santos/SP stands to represent over 50% of Brazil's gross domestic product, but it also stands out due to the environmental pollution from particulate matter, by loading the ships with grains. These particles, PM10, are extremely harmful to human health as they enter the respiratory system, causing airway obstruction, causing a condition called chronic obstructive pulmonary disease (COPD). This pathology develops, especially after exposure to components that obstruct the airways, being the one of the most leading cause of death worldwide, according to the World Health Organization. This present study conducted a study on the environmental impact derived from these particles suspended through an analysis of data from the Society of State docks of São Paulo, the Environmental Company of the State of São Paulo and the Municipality of Santos, from January 2013 to May 2016. This literature review was conducted by articles, newspapers, magazines and Web sites, on issues where the results pointed to a deterioration of air quality in neighborhoods near the port of Santos.
Keywords: Port of Santos, environmental pollution, COPD, air quality.



A cidade de Santos é conhecida, dentre tantas coisas, pelo seu Porto, o maior da América Latina, responsável por mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do nosso país, sendo as principais cargas produtos como o açúcar, cargas conteinerizadas, café, milho, trigo, sal, suco de laranja, papel, automóveis, álcool, soja, etc., porém desde ano de 2013, a cidade sofre com problemas de emissões de partículas em suspensão advindas do descarregamento de grãos nos navios, na área portuária de Santos¹.
A qualidade do ar é estabelecida através de padrões que definem o limite máximo de concentração de agentes poluentes na atmosfera, estes padrões visam garantir a proteção do meio ambiente e principalmente da saúde. A poluição atmosférica compromete os sistemas respiratórios, circulatórios e até oftalmológicos, sendo o sistema respiratório a principal via de entrada desses poluentes. Por meio da respiração, os poluentes adentram as vias respiratórias, por meio das narinas chegando aos alvéolos pulmonares, ocasionando muitos processos de inflamatórios que causam graves danos e debilitam o sistema respiratório².
O material particulado, que fica em suspensão no ar, é um termo convencional e genérico para uma classe de substancias químicas existentes na atmosfera na forma de partículas. Essas partículas variam de 0 a 100 μm de diâmetro, sendo aquelas com diâmetros inferiores a 10 μm (MP10) muito prejudiciais para a saúde humana a exposição as altas concentrações a esse material particulado, em particular a MP10, pode ser associada a graves danos no sistema respiratório, por conta da inalação dessas partículas, sendo o principal problema o aparecimento das doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC) 2.
A DPOC é uma das principais causas de hospitalização e óbitos no mundo. É definida como a limitação do fluxo aéreo, podendo ser ou não totalmente reversível, o curso dessa doença é crônico e progressivo, sempre associada à uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas devido ao contato com partículas ou gases tóxicos. Os principais sintomas clínicos se caracterizam por uma tosse crônica, aumento da produção de escarro e dispneia. E o principal fator de risco para o desenvolvimento dessa doença são o tabagismo – mesmo que passivo –, produtos químicos ou inalação de partículas e poluentes3.
Por conta da elevada presença de partículas em suspensão já documentadas nos relatórios da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) sobre os bairros próximos ao porto na cidade de Santos causando severos danos aos moradores que ali residem, essa pesquisa auxiliará na obtenção de novos resultados que possam minimizar o impacto ambiental gerado pelo embarque dos produtos no Porto de Santos/SP, que causam severos danos aos moradores que ali residem.
Este estudo teve como objetivo realizar um estudo sobre o impacto ambiental oriundo dessas partículas em suspensão nos bairros próximos ao Porto de Santos, no período de janeiro de 2013 até maio de 2016. Estes dados estatísticos foram relacionados com a pluviosidade com a quantidade de partículas em suspensão, verificando assim a relação entre essa poluição atmosférica causada partículas em suspensão e a DPOC.
O município de Santos é conhecido por diversas formas, porém a mais lembrada é que ela abriga o maior porto da América Latina, inaugurado em 1892.O porto contém uma área com mais 7,8 milhões de metros quadrados e hoje é responsável por mais 50% do Produto Interno Bruto brasileiro4,5.
O problema ambiental causado pelo porto ocorre no momento, quando os navios são carregados por granéis através de um maquinário chamado Ship-Loader, que tem como função levar o granel do armazém até o navio. Esse granel é transportado sobre esteiras, levado até a lança da máquina, que consiste em uma estrutura curvilínea que faz com que o granel escorra até o fundo do porão do navio. A partir deste despejo do granel, acontece a suspensão de partículas em suspensão as MP10 6.
Material particulado é um termo que é, normalmente, dado a uma grande classe de substancias químicas que existem atmosfera terrestre na forma de partículas, podendo ser classificadas como primárias, cujo são emitidas diretamente na atmosfera, e secundárias, aquelas que são formadas ou sofrem modificações na atmosfera a partir da transformação de gases e vapores particulados7.
O diâmetro dessas partículas variam de 0 a 100 microns, sendo aquelas inferiores a 10 microns (MP10) muito danosas para os seres humanos. Elas se dividem em partículas inaláveis finas (<2,5μm) e partículas inaláveis grossas (de 2,5μm a 10 μm).  Essas partículas MP10, também chamadas de partículas inaláveis grossas, na atmosfera, são resultado de processos mecânicos, como, por exemplo, “ressuspensão” de poeira. No período do inverno, as coisas são mais favoráveis para a alta concentração desses materiais particulados em suspensão, por conta da diminuição das chuvas, ventos de baixas velocidades, pouco ocorrência de inversão térmica, etc8.
Essas partículas MP10­, são danosas para a saúde humana, pois podem causas uma série de efeitos adversos que vão desde desconforto até a morte. Algumas dessas adversidades incluem irritações das vias aéreas e dos olhos, redução na capacidade pulmonar, bloqueia das vias aéreas, suscetibilidade a infecções virais e bacterianas, doenças cardiovasculares, redução da capacidade física, cefaleia, alterações metabólicas, danos ao sistema nervoso central, alterações genéticas e desenvolvimento de tumores malignos. Quando essas partículas penetram os tecidos pulmonares, causam bloqueios e irritando as passagens de ar, podendo causa efeitos tóxicos, como por exemplo, a fibrose pulmonar nos operários que lidam com amianto e o enfisema e a bronquite em habitantes das cidades que estão com acúmulos de partículas em suspensão8.
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) refere-se a uma doença que causa um bloqueio no fluxo de ar, que não é totalmente reversível, de caráter progressivo, associada a uma resposta inflamatória pulmonar através, normalmente, da inalação de substancias tóxicas, sendo principal fator para o desenvolvimento dessa doença. Os portadores dessa doença, normalmente, apresentam características fisiopatológicas de doenças como Bronquite Crônica e Enfisema Pulmonar3.
A DPOC sempre ocupou uma posição importante entre as doenças que mais causam morte e morbidade em todo mundo. Conforme a estimativa da Organização Mundial de Saúde, em 2002 a DPOC ocupava o quinto lugar entre as principais causas de morte, sendo que até 2030, ela pode ocupar a terceira posição. No Brasil, cerca de cinco milhões de pessoas sofram com essa doença, e já a 5ª maior causa de internação no SUS nos últimos dez anos3.

Por se tratar de uma doença crônica, ela frequentemente inicia-se com uma tosse, dispneias e limitação da capacidade em realizar alguma atividade física e/ou do dia-a-dia, se tornando cada vez mais intensa e surgindo através de esforços cada vez menores. E esses sintomas, aparecem, normalmente, em pessoas com mais de 40 anos3.
Este processo inflamatório crônico produz alterações dos brônquios, portanto ocasionando um quadro de bronquite crônica e do parênquima pulmonar, causando um enfisema pulmonar, fazendo com o paciente, geralmente, apresente essas duas patologias de forma concomitante e de graus variados9.
O diagnóstico é clinico e deveria ser considerado para toda a população expostas a substancias toxicas que apresentam a sintomatologia da DPOC: dispneia, tosse crônica e expectoração. Esses critérios clínicos já são suficientes para fechar o diagnóstico da DPOC, porém, recomenda-se a confirmação pelo exame de espirometria10.

Método
No presente estudo, foi efetuada uma análise dos dados levantados junto a Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), Prefeitura de Santos e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), confrontando-os para identificar a relação do desembarque dos produtos no Porto com a chuva e a poluição atmosférica. Além disso, será realizada uma revisão bibliográfica em artigos científicos, jornais, revistas e sites, sobre a problemática da poluição ambiental e danos causados pela inalação das partículas MP10.

Resultados
O monitoramento da qualidade do ar no município Santos, se dá pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a CETESB. Hoje o município conta com duas estações automáticas, a Estação Santos que tem como função avaliar o ar médio da região central da cidade e medir a concentração dos poluentes atmosféricos às quais a população está exposta, e a Estação Santos – Ponta da Praia – EM, que tem como objetivo avaliar os impactos das emissões dos poluentes advindos da atividade portuária7.
 O período de monitoramento considerado neste trabalho foi de janeiro de 2013 até maio de 2016. A partir das informações obtidas, foram realizadas as análises, bem como a interpretação dos resultados e a construção dos gráficos e quadros a seguir.

Gráfico 1. Distribuição dos resultados da análise diária da qualidade do ar na Estação Santos entre os anos de 2013 e 2016.

Fonte: Cetesb, 2016

Os valores apresentados no gráfico 1 demonstra que os resultados obtidos na estação Santos, apresentaram uma melhora, crescente, da qualidade do ar entre os anos 2013 e 2015, evidenciado pelo aumento dos dias que apresentaram uma boa qualidade do ar, respeitando os níveis estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Já no que diz respeito ao presente ano de 2016, aponta para que essa boa qualidade do ar se mantenha ao longo do ano.

Gráfico 2. Distribuição dos resultados da análise diária da qualidade do ar na Estação Santos - Ponta da Praia - EM entre os anos de 2013 e 2015.

Fonte: CETESB, 2016

Os valores apresentados no gráfico 2, demonstra que nos anos de 2013 e 2014, o ar, por mais que tenha se apresentado de forma boa na maior parte do ano, ele também se apresentou de forma deteriorada em uns alguns dias do ano, o que já demonstra a existência de uma poluição ambiental naquela região, causada pela atividade portuária que é responsável pela formação da MP10. Já no ano de 2015, o ar se apresentou de forma boa, pois nesse ano, houve um crescimento do indicie pluviométrico na cidade o que explicaria essa melhora da qualidade do ar, pois quando ocorre a chuva, pois esta chuva incorpora uma parcela significativa desses poluentes atmosféricos, levando essas partículas ao solo e também evitando que haja uma ressuspensão destas para a atmosfera. Também não ocorre o perigo de formação de chuvas ácidas, pois essas partículas em suspensão não possuem características químicas necessárias para acidificar as gotas de chuva. E no presente ano de 2016, demonstra que o Município de Santos deverá ter uma boa qualidade do ar.

O gráfico 3, a seguir, demonstra o número de internações por pessoas acometidas por problemas respiratórios no SUS, no município de Santos.


Gráfico 3. Números totais de internações por doenças respiratórias entre os anos de 2013 e 2015

Fonte: DATASUS, 2016

Este gráfico 3 aponta que durantes estes anos, houve um crescimento no número de internações no SUS, por conta de doenças respiratórias, o que pode se levar em conta, que este problema pode estar relacionado as concentrações elevadas de partículas em suspensão, conforme as análises feitas por esta pesquisa.

Discussão 

Com o aumento crescente do volume de graneis vindo ao porto de Santos e somados com o crescimento do volume portuário, este problema com a poluição do ar com elevadas concentrações de MP10, tende a se prolongar ao longo dos anos caso as autoridades responsáveis não tomem medidas cabíveis para controlar tal situação.
Um fato que compactua com essa afirmação, de que este problema da poluição do ar, é que há uma falta de leis que auxiliem no controle desta problemática que vem se arrastando ao longo do tempo.
As decisões na esfera política, aparentemente, sugerem que a preocupação com a questão econômica prevalece sobre as questões ambientais, que neste caso ignora o bem-estar e a qualidade de vida dos moradores próximos ao porto de Santos e também, das pessoas que trabalham diretamente com essa área.
Os resultados indicam que o controle ambiental está sendo feito ao acaso pela natureza, isto é, nessa situação a melhoria está condicionada a ocorrência de chuvas e ventos, os quais reduzem as concentrações de MP10 no ar.
Pessoas do grupo de risco (crianças, idosos, pessoas com imunidade fragilizada) e pessoas com problemas pulmonares, apresentam maiores chances de padecer com a DPOC, se moram próximas ao porto de Santos. Um paliativo para minimizar este risco, poderia ser um alerta à população e oferecer informações sobre a programação de carregamentos portuários, para evitar a inalação dessas partículas, com a utilização de mascaras nos horários em que ocorresse esse carregamento dos navios, com produtos que geram suspensão de partículas. Então, enquanto não há mudanças perante a esses procedimentos de carregamento dos navios, deveria haver uma intensificação da fiscalização ambiental, para que houvesse um maior controle da qualidade do ar e evitasse com que mais pessoas sejam afetadas por esse tipo de poluição ambiental.
Na questão de reduzir a liberação de partículas na atmosfera, deveriam introduzir melhorias tecnológicas no processo de carregamento dos navios. Como sugestão, a criação de possíveis coberturas para os porões dos navios, onde apenas o bico do shiploader se encaixasse e pudesse fazer o descarregamento dos materiais.
Até o presente momento não há nenhuma normativa ou lei ambiental especifica para uma solução definitiva deste problema que vem afetando o município de Santos, fazendo com que população que sofre, diretamente, com esse tipo de problema ambiental, dependa, exclusivamente, das condições meteorológicas, para se obter uma boa qualidade do ar.

Referências bibliográficas

1. Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP). O porto e sua história. Disponível em: http://www.portodesantos.com.br/historia.php. Acesso em: 10 de fev. 2016.

2. NICODEMOS, RENATA M. et al, Estudo da Relação entre concentração de MP10 e Doenças Respiratórias na Cidade de Uberlândia/MG., in VIII Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica, 2009 Uberlândia/MG. Disponível em: http://www.cobeqic2009.feq.ufu.br/uploads/media/82920361.pdf. Acesso em: 30 de mar. 2016

3. POSADA, WALTER A. et al, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: uma revisão sobre os efeitos da educação dos pacientes. Rev Ciênc Farm Básica Apl., 2014;35(4):533-538 ISSN 1808-4532., Rio Grande do Sul, 2014.

4.Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Doença Pulmonar Obstrutiva Cronica. Disponível em: http://www.jornaldepneumologia.com.br/pdf/suple_124_40_dpoc_completo_finalimpresso.pdf
Acesso em: 30 de mar. 2016.

5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Senso da Cidade de Santos. Disponível em:

6. Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). O porto de santos. Disponível em: http://web.antaq.gov.br/Portal/pdf/Portos/2012/Santos.pdf  Acesso em: 10 de fev. 2016.

7. RIBEIRO, EGBERTOF. Logística portuária.
Disponível em: http://docslide.com.br/documents/operacaoportuaria.html Acesso em: 31 de mar. 2016

8. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). Relatório da avaliação da Qualidade do Ar no município de Santos. Disponível em: http://ar.cetesb.sp.gov.br/wp-content/uploads/sites/37/2013/12/Relat%C3%B3rio-Santos-2015.pdf Acesso em: 8 de abril 2016.

9. ALMEIDA, IVO T. A poluição atmosférica por material particulado na mineração a céu aberto. 1999, 186 f. Dissertação – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

10. JARDIM, J,; OLIVEIRA, J.; NASCIMENTO, O. II Consenso Brasileiro sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica -DPOC – 2004. Jornal brasileiro de Pneumologia. Volume 30 - suplemento 5 – nov.2004.

11.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de atenção básica para doenças respiratórias crônicas. 2010, 161 f., Brasília/DF. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_respiratorias_cronicas.pdf
 Acesso em:18 de mar. 2016

12. DATASUS; Pesquisa sobre o número de internações por conta de doenças respiratórias no município de Santos, São Paulo. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/sxuf.def  Acesso em: 18 de maio 2016.