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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Condições de uso de medicamentos entre os profissionais de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo –SP.



 ARETE SAUDE HUMANA Ano 1, Vol.1  Out/Nov/Dez  Série  25/10, 2013, Série 25/10 p.01
Unidade de Investigação do Curso de Enfermagem das Faculdades Oswaldo Cruz -São Paulo -SP. 
enfermagem@oswaldocruz.br

(i)Ionara Martins de Gouveia, 
(i)Maria Aparecida de Souza,
(i)Rosangela Caetano de Almeida Borges ,
(i)Rafaela Maria Gregório dos Santos
(ii)Eric Boragan Gugliano

(i) Alunas do curso de Enfermagem das Faculdades Oswaldo Cruz
(ii) Biólogo com mestrado em Psicobiologia. Professor no curso de Enfermagem das Faculdades Oswaldo Cruz

Resumo
               De acordo com dados da OMS o consumo indiscriminado de medicamentos tem aumentado consideravelmente em todo mundo, principalmente nos países desenvolvidos. Estudos realizados no Brasil têm demonstrado que o uso de medicamentos varia com a idade, sexo, condições de saúde e outros fatores sociais, econômicos e demográficos. Em relação a classe trabalhadora, no Brasil, apesar da relevância de pesquisas epidemiológicas sobre uso de medicamentos, poucos são os estudos disponíveis e ainda são raros os estudos que apresentam a população trabalhadora como população-alvo. O objetivo deste trabalho foi avaliar um público alvo de funcionários de uma Instituição de Ensino Superior (IES), em São Paulo, em relação ao consumo, conhecimento, automedicação e descarte de medicamentos comparando-se  gênero,  autoconceitos de saúde e idade. Foi encontrado um maior aumento no consumo de medicamentos em mulheres, não foram percebidas diferenças entre idades e ambos os gêneros relataram consultar médico, porém descartam indevidamente os restos dos medicamentos.  No grupo das mulheres destacam-se repositores hormonais, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, antialérgicos, antipiréticos, calmantes,  antidepressivos, vitaminas e analgésicos. No grupo dos homens destacam-se anti-inflamatórios, analgésicos, antipiréticos, antibióticos, anti-hipertensivos e cardiotônicos. Os dados dessa pesquisa estão de acordo com o da literatura que apontam maior consumo pelas mulheres  principalmente anti-inflamatórios, anti-hipertensivos.

Introdução
Os medicamentos são essenciais no processo  de recuperação e manutenção da saúde e bem estar dos  seus usuários. Porém a crença excessiva no seu poder terapêutico tem o tornado como mercadoria especial como único meio validado para se obter saúde.  Relacionado a esse fato outros problemas surgem como  automedicação, uso indiscriminado, intoxicações e reações adversas. (BORGES LUZ,  2012 apud  BARROS,2008).
De acordo com o relatório sobre consumo de drogas no mundo (http://www.unodc.org), divulgado em agosto de 2011 pelo escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODOC) existe o uso abusivo de medicamentos no Brasil, mas os níveis de consumo de drogas ilegais continuam estabilizados. Foi relatado que no Brasil, Costa Rica e Chile existe uma alta prevalência de prescrição de opióides (analgésicos).
Estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS),apontam que cerca de 50% da população mundial faz uso irracional de medicamentos, o que é resultado da grande disponibilidade das variações das drogas no mercado. “ O uso indevido de remédios é considerado um problema de saúde pública não só no Brasil, mas mundialmente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%. Os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios são os mais usados pela população brasileira sem o atendimento às recomendações médicas. Por isso, são também os que causam mais intoxicação (http://www.anvisa.gov.br). 
Estudos realizados no Brasil têm demonstrado que o uso de medicamentos varia com a idade, sexo, condições de saúde, e outros fatores sociais, econômicos e demográficos. Conforme (ROZENFELD,2003) o consumo é maior entre os idosos, com dois a cinco produtos utilizados simultaneamente e excesso de consumo de supérfluos (desnecessário) de medicamentos, mas também sub-utilização de medicamentos essenciais para o controle da doença.
De acordo com Bertoldi(2004) ainda existem poucos estudos brasileiros de base populacional que tenham investigado uso em adultos de uma forma global.  Alguns estudos têm buscado informações de grupos específicos, como crianças, idosos, escolares, mulheres, gestantes, ou desfechos localizados em determinados grupos farmacológicos ou ainda no perfil da automedicação. Outros estudos demonstram que a utilização de medicamentos é maior em mulheres, idosos, indivíduos com plano de saúde suplementar, com pior autoavaliação do estado de saúde, com presença de doenças entre  outros. 
Em relação a classe trabalhadora, no Brasil, apesar da relevância de pesquisas epidemiológicas sobre uso de medicamentos, poucos são os estudos disponíveis, e ainda são raros os estudos que apresentam a população trabalhadora como população-alvo (BORGES LUZ, 2012 apud   ACURCIO,2006). 
As pesquisas sobre utilização de medicamentos  em saúde ocupacional estão centralizadas em trabalhadores na área da saúde como trabalhadores de hospitais. Segundo Borges Luz (2012)  os trabalhadores da área da saúde apresentam carga de trabalho e responsabilidade excessiva, além da insegurança na estabilidade do trabalho o que acarreta piora no estado de saúde e consequentemente o uso de medicações. A classe de medicamentos mais utilizada, encontrada nesse estudo em questionário aplicado em trabalhadores do Instituto de Pesquisa Evandro Chagas, refere-e a ação no sistema nervoso, especificamente os analgésicos.

Objetivo
O objetivo deste trabalho foi avaliar um público alvo de funcionários de uma Instituição de Ensino Superior (IES), em São Paulo, em relação ao consumo, conhecimento, automedicação e descarte de medicamentos comparando-se   gênero,  autoconceito de saúde e idade.
Metodologia
A pesquisa foi realizada em agosto de 2012 e constitui  de aplicação de   de um questionário (ANEXO - A) e termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO- B) entre funcionários de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo-SP. Os questionários e  os termos de consentimento foram distribuídos por setor de trabalho e recolhidos posteriormente. O questionário avaliou automedicação, condição de saúde, os tipos de medicamentos utilizados, o uso de fitoterápicos e o descarte dos medicamentos. Para tabulação de dados foi usado o critério, distribuídos por faixa etária, gênero, escolaridade e setor de trabalho.  O número de participantes foi de 40, sendo 14 homens e  26 mulheres.

Resultados
Os dados  estão expressados em frequência absoluta.



Gráfico 1: Maneiras como descarta sobras de medicamentos

Gráfico 2:Autoconhecimento sobre condições de saúde



Gráfico 3: Uso racional ( medicamentos prescritos)  



Gráfico 4: Uso de medicamentos fitoterápicos


Gráfico 5: Uso de medicamentos por faixa etária e gênero


TABELA 1- AUTOCONCEITO DE SAÚDE


 Condições de uso de medicamentos entre os profissionais de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo –SP (2012)
Pergunta: Atualmente você considera sua saúde boa?
MULHERES
92,30% RESPONDERAM QUE SIM
HOMENS
81,25    RESPONDERAM QUE SIM

TABELA 2-USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS
Condições de uso de medicamentos entre os profissionais de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo –SP (2012)
Pergunta: Quando precisa de medicamento o que é mais comum acontecer?
MULHERES
 65,38% CONSULTAM MÉDICOS
HOMENS
 42,85%  CONSULTAM MÉDICOS


TABELA 3-USO  DE FITOTERÁPICOS
Condições de uso de medicamentos entre os profissionais de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo –SP (2012)
Pergunta: Você faz uso de fitoterápico?
MULHERES
 19,23% USAM
HOMENS
 0%       NÃO USAM


TABELA 4-CONSUMO DE MEDICAMENTOS POR IDADE
Condições de uso de medicamentos entre os profissionais de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo –SP (2012)
 4.a)-Assinale o(s) grupo(os) de medicamento(s) que se utilizou nos últimos 06 meses.  
HOMENS
18 a 30 anos
 28,57%utilizaram
MULHERES
18 a 30 anos
  23,07% utilizaram
HOMENS
31 a 60 anos
 21,42% utilizaram
MULHERES
31 a 60 anos
 30,76% utilizaram


CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com os resultados da pesquisa, percebemos que aqueles que relataram boa saúde foram a maioria dos entrevistados, mas isso não é uma regra para o não uso dos medicamentos. Mesmo relatando boa saúde, os profissionais fazem uso dos mais variados tipos de medicamentos. Dentre estes, no grupo das mulheres destacam-se repositores hormonais, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, antialérgicos, antipiréticos, calmantes,  antidepressivos, vitaminas e analgésicos. No grupo dos homens destacam-se anti-inflamatórios, analgésicos, antipiréticos, antibióticos, anti-hipertensivos e cardiotônicos. Conforme os estudos comprovam, nesta pesquisa também constatamos que o número de mulheres que fazem o uso de medicamentos, tanto racional como irracionalmente é bem maior do que o número dos homens, até em se tratando no uso de medicamentos fitoterápicos, onde os homens pouco se medicam em relação as mulheres. Porém não foi possível observar uma diferença em relação a idade, pelo número reduzido de participantes que fizeram a devolutiva do questionário.  Outro fator relevante nesta pesquisa, foi em relação ao descarte dos medicamentos, pois o maior número de entrevistados relatam o descarte em lixo comum, o que trata-se de um assunto preocupante para o meio ambiente. Com isso, além da  necessidade da conscientização quanto do uso irracional  de medicamentos, o descarte apropriado é de bastante relevância, pois trata-se de um assunto de extrema importância nos dias atuais.
Nosso trabalho está de acordo com Bertoldi (2004) que realizou pesquisa sobre uso de medicamentos em adultos, na zona urbana de Pelotas, aonde foi encontrado  grande diferença  por sexo, principalmente pela utilização de anticoncepcionais pelas mulheres. Retirando esse grupo de medicamentos a prevalência  ainda foi maior 40 % maior do que  os homens. Os autores discutem que as mulheres  são mais preocupadas com a saúde, procuram mais os serviços de saúde e, portanto, são mais sujeitas a medicalização. Observou-se também o aumento crescente de medicamentos na faixa de homens jovens. Os analgésicos e anti-inflamatórios  também foram os mais utilizados. Os autores ainda discutem o aumento do uso de medicamentos para o coração comparados com estudos anteriores.
           De acordo com a ANVISA (http://www.anvisa.gov) existe a diferença entre automedicação e uso indiscriminado. A auto medicação é definida como a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não-habilitadas para tratamento de doenças cujos sintomas são "percebidos" pelo usuário, mas sem a avaliação de um profissional de saúde. O uso indiscriminado já tem um conceito mais amplo; está relacionado à "medicalização", ou seja, uma forma de encontrar a cura para doenças e promover o bem-estar usando exclusivamente medicamentos, o que pode levar ao consumo excessivo e constante destes produtos. 
Conforme ARRAIS (2005)  verificou-se , em estudo realizado na cidade de Fortaleza-CE, que renda familiar mensal, sexo, idade, presença de doença crônica, cobertura por plano de saúde e realização de consultas ao médico nos meses que antecederam a pesquisa foram prováveis fatores determinantes do consumo de medicamentos nos  15 dias anteriores a avaliação.
Apesar da escolaridade fazer parte de nossa análise, muitos dos entrevistados não responderam o que dificultou fazermos a relação com o consumo de medicamentos. Nos trabalhos internacionais, o grau de escolaridade aparece, principalmente, relacionado ao aspecto do consumo por automedicação, com tendência crescente de consumo entre os mais escolarizados(ARRAIS,2005 apud Figueiras,2000). No Brasil ( Franco,1987) evidenciou a mesma coisa. De modo geral, um maior nível de escolaridade está associado a um maior conhecimento e discernimento sobre o processo saúde-doença.
No geral, tanto os homens (57,14%) como mulheres(65,38%) relataram consultar o médico quando precisa de um medicamento, portanto demonstrando uso racional.   Geralmente, a automedicação ocorre com os medicamentos das classes dos analgésicos, descongestionantes nasais, anti-inflamatórios/antirreumáticos e anti-infecciosos de uso sistêmico (MASTROIANNI,2011 apud  ARRAIS,1997).Portanto Schmid (2012) discute que a automedicação responsável pode representar economia para o indivíduo e para o sistema de saúde.
Conforme a Organização Mundial de Saúde, "há uso racional quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade". ( CARVALHO,2005 apud OMS,2002) .
Essa pesquisa foi proposta pela Unidade de Investigação do Curso de Enfermagem das Faculdades Oswaldo Cruz -São Paulo -SP. Outros trabalhos realizados avaliaram nutrição, IMC,Hipertensão, Diabetes, predisposição a síndrome metabólica, tanto de trabalhadores como da população do entorno.  

FONTES CONSULTADAS

ARRAIS,P.S.D; BRITO,P.S.D.; BARRETO,M.L.; COELHO,H.L.L. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 21(6):1737-1746, nov-dez: 2005

ANVISA. Os perigos do uso inadequado de medicamentos. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/divulga/reportagens/060707.htm. Acesso em: 29/08/2012.
BERTOLDI,A.D.; BARROS,A.J.D;HALLAL,P.C;LIMA,R.C. Utilização de medicamentos em adultos:prevalências e determinantes individuais. Rev. Saúde Pública 38(2);228-38: 2004

BORGES LUZ,T.C.; LUIZA,V.L.; AVELAR,F.G; HOKERBERG,Y.H.M.; PASSOS,S.R.L. Consumo de medicamentos por trabalhadores de hospital.  Ciênc. saúde coletiva vol.17 no.2:Rio de Janeiro Feb. 2012

CARVALHO,M.F.DE;  PASCOM,A.R.P; SOUZA-JUNIOR,R.B.; DAMACENA,G.N.; SZWARCWALD,C.L.  Características da utilização de medicamentos na população brasileira, 2003. Cad. Saúde Pública vol.21  suppl.1 Rio de Janeiro  2005


FRANCO, R.C.S.; NETO, J.A.C.; KHOURI,M.A., NUNES, MO, Santana VS, et al. Consumo de medicamentos em um grupo populacional da área urbana de Salvador-BA. Rev Baiana Saúde Pública; 13/14:113-21: 1987

MASTROIANNI , P. de C.; LUCCHETTA ,C.,R.; SARRA ,J.dos R.; GALDURÓZ, J. F. C. Estoque doméstico e uso de medicamentos em uma população cadastrada na estratégia saúde da família no Brasil. Rev Panam Salud Publica vol.29 no.5 Washington: May 2011


Rozenfeld S. Prevalência, fatores associados e mau uso de medicamentos entre idosos: uma revisão. Cad Saúde Pública; 19:717-24: 2003

SCHMID,B.;BERNAL,R.;SILVA,N.N. Automedicação em adultos de baixa renda no município de São Paulo. Rev. Saúde Pública vol.44 no.6 São Paulo dez. 2010


UNODOC.UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME. World Drug Report 2011.Disponível em:http://www.unodc.org/documents/dataandanalysis/WDR2011/World_Drug_Report_2011_ebook.pdfAcesso em:26/08/2011



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

PRESSÃO ARTERIAL, IMC, GLICEMIA E CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL: INDICADORES DE RISCO PARA SÍNDROME METABÓLICA ENTRE A POPULAÇÃO INTERNA E DO ENTORNO DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DA CIDADE DE SÃO PAULO




 ARETE SAUDE HUMANA Ano 1, Vol.1 Jul/Ago/Set., Série  26/09, 2013, p.08


Unidade de Investigação do Curso de Enfermagem das Faculdades Oswaldo Cruz -São Paulo -SP
enfermagem@oswaldocruz.br

AUTORES: Carla Muller Batistele Barros, Andreia do Nascimento Miranda, Erika Cardoso Pereira,  Cristina Maria da Silva Flor

ORIENTADORES: Prof. (MS) Antonio Marcolino do Nascimento
                             Profa. (ESP) Estela Mara Nicolau



1 – RESUMO
                     O presente trabalho quantitativo descritivo teve como objetivo estudar a potencial susceptibilidade ao desenvolvimento da síndrome metabólica em funcionários e alunos de uma instituição de ensino superior e moradores do entorno. Foram investigados os riscos cardiovasculares, hábitos de vida e alimentação, histórico familiar e pessoal de doenças; associados à verificação da PA (pressão arterial), glicemia capilar, peso, altura, e circunferência abdominal, além de dados biográficos: gênero, idade, raça num total de 50 entrevistados. Os valores obtidos evidenciaram que o número de pessoas classificadas como sobrepeso foi elevada em relação às outras categorias estudadas. Os resultados elevados do IMC e circunferência abdominal mostraram-se preocupantes, uma vez que, a obesidade abdominal é normalmente associada a diversas complicações metabólicas. Quanto aos níveis pressóricos, houve um resultado elevado no limítrofe quando comparado ao demais.

2   2 – INTRODUÇÃO
             A síndrome metabólica (SM) é uma designação atribuída à associação de diversos fatores como hipertensão arterial, hiperinsulinemia, dislipidemia, intolerância à glicose, diabetes do tipo 2 e obesidade central e também é conhecida por síndrome de resistência insulínica, síndrome plurimetabólica, síndrome X e quarteto mortal.
              A predisposição genética é um fator importante, portanto, a presença de casos na família deve ser considerada como agente de alerta. Vale lembrar que, fumantes, pessoas que não possuem hábitos alimentares saudáveis e que vivem em constantes situações de estresse também aumentam a prevalência da SM. Indivíduos com baixo condicionamento cardiorrespiratório, pouca força muscular e sedentarismo aumentam a prevalência em 3 a 4 vezes.
              As terapias de primeira escolha para o tratamento da SM estão na modificação do comportamento alimentar inadequado e na perda ponderal, associadas à prática de atividade física regular que favorecem a redução da circunferência abdominal e da gordura visceral, melhoram a sensibilidade à insulina e diminuem as concentrações plasmáticas de glicose e triacilgliceróis, aumentam os valores de HDL colesterol, e, consequentemente, reduzem os fatores de risco para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus do tipo 2 e doença cardiovascular.

3 - OBJETIVOS
              O presente trabalho tem como objetivo estudar a potencial susceptibilidade ao desenvolvimento da síndrome metabólica em funcionários e alunos de uma instituição de ensino superior e moradores do entorno.

4 – METODOLOGIA
              Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva, exploratória.
4.1 Amostra.
A população do estudo foi constituída de 50 pessoas, de faixa etária variando de 17 anos a maior de 45 anos, sendo 27 do gênero feminino e 23 do gênero masculino. Para categorização étnica adotou unicamente o agrupamento por cor de pele: negros e brancos. Toda a população foi constituída por voluntários que atenderam ao convite para participar da semana de Enfermagem e avaliação de saúde direcionada aos riscos e indicadores para a síndrome metabólica bem como para orientação a respeito de alternativas para o relaxamento e controle dos níveis pressóricos e alimentação saudável, com demonstração do preparo e degustação de chás e alimentos integrais de baixa caloria.
4.2. Coleta de dados.
Foi aplicado um questionário que investigou a respeito dos riscos cardiovasculares, hábitos de vida e alimentação, histórico familiar e pessoal de doenças; associado à verificação da PA (pressão arterial), glicemia capilar, peso, altura, e circunferência abdominal, além de dados biográficos: gênero, idade, raça. A avaliação antropométrica foi realizada utilizando-se uma balança digital com capacidade para até 150 kg dotada de estadiômetro. A pesagem se deu com a pessoa descalça e com o mínimo de roupas e sem acessórios e adornos. A estatura foi aferida estando o indivíduo em posição ortostática, pés juntos e corpo alinhado. O IMC foi aferido seguindo o método proposto pela Organização Mundial de Saúde calculando-se o peso(kg)/altura²(m). A circunferência abdominal foi referenciada na menor curvatura abdominal entre a crista ilíaca e o reborda costal verificada com uso de fita métrica flexível. A da pressão arterial (PA) foi obtida estando à pessoa sentada e utilizando-se do esfigmomanômetros aneroide instalado a 2.5 cm da fossa cubital no membro superior e estetoscópio; seguindo a técnica proposta nas VI Diretrizes da Sociedade Brasileiras de Hipertensão.
4.3. Aspectos éticos da pesquisa.
Os dados foram coletados mediante a assinatura de TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido), de acordo com a resolução 196/96.
4.4. – Análise dos resultados.
Os dados foram tratados por método estatístico simples, tabulados em planilhas do Microsoft Excel 2007 e apresentados em gráficos seguidos de discussões. Adotaram-se como referência os valores de pressão arterial, classificados nas VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial; a glicemia foi referendada nos indicadores da Sociedade Brasileira de Diabetes e o IMC de acordo com a tabela da OMS (Organização Mundial de Saúde). A circunferência abdominal foi aferida e classificada conforme indicado por Lean e cols, 1995.

5 – DESENVOLVIMENTO
          Estudos demonstram que a prática da atividade física leva a menores níveis de pressão arterial em repouso, em todas as idades, ou seja, a prática regular de exercício físico previne o aumento da pressão arterial, mesmo em indivíduos com risco de desenvolvê-la. Uma meta análise de 54 estudos longitudinais randomizados controlados, examinando o efeito do exercício físico aeróbico sobre a pressão arterial, demonstrou que essa modalidade de exercício reduz, em média, 3,8 mmHg e 2,6 mmHg a pressão sistólica e diastólica, respectivamente. Reduções de apenas 2 mmHg na pressão diastólica podem diminuir substancialmente o risco de doenças e mortes associadas à hipertensão, o que demonstra que a prática de exercício aeróbico representa importante benefício para a saúde de indivíduos hipertensos (CIOLAC e GUIMARÃES, 2004, p.319). Uma dieta rica em frutas, vegetais, produtos lácteos pobres em gorduras - dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) - associada a um consumo restrito de sódio também colabora com a redução da pressão arterial.
          O risco de desenvolver diabetes melito tipo 2 é diminuído com a prática de exercícios físicos, tanto em homens como em mulheres, independente de predisposição genética , do peso e de outros fatores de risco cardiovascular. Uma dieta com alimentos com baixa carga glicêmica, associada ao elevado consumo de fibras, em especial as fibras solúveis, é capaz de reduzir o risco de desenvolver a diabetes melito tipo 2.
          A síndrome metabólica também contempla sintomas decorrentes da resistência à insulina que ocorre quando uma concentração normal desse hormônio produz uma menor resposta biológica nos tecidos periféricos, como músculo, fígado e tecido adiposo (WALLACE apud SANTOS et al, 2006, p.391)
          A resistência insulínica pode decorrer de diversos fatores: defeitos na secreção e/ou ação da insulina por menor número de receptores ou menor afinidade desses, redução na quantidade de GLUT-4 ou na translocação de GLUT-4 para membrana, sendo este último considerado como fator mais importante. (SANTOS et al, 2006, p.392).
          A forma mais comum de dislipidemia associada à SM, chamada dislipidemia aterogênica é caracterizada por três anormalidades lipídicas: hipertrigliceridemia, baixas concentrações plasmáticas de HDL-colesterol e partículas de LDL-colesterol. Com o menor metabolismo de VLDL-c, proveniente da hiperinsulinemia, a concentração plasmática de HDL-c é menor e a concentração de triglicerídeos encontra-se aumentada. Pode-se verificar que indivíduos que tem o hábito de praticar exercícios físicos, apresentam menores níveis de triacilgliceróis, LDL e VLDL colesterol e maiores níveis de HDL-colesterol em comparação a indivíduos que são sedentários. Para a redução dos níveis de triacilgliceróis é necessária à redução do consumo de carboidratos simples e o maior consumo de ácidos graxos ômega-3. A dieta mediterrânea rica em cereais integrais, frutas, vegetais e com elevada proporção de gordura monoinsaturada em relação à insaturada melhora o perfil lipídico de pacientes com risco cardiovascular elevado (STEEMBURGO et al,2007, p.1427). De acordo com estes autores a obesidade ocorre devido à inatividade física do que ao alto consumo de comida; promove juntamente com a predisposição genética, uma resistência insulínica.  Para trata-la, além de ser necessária uma diminuição do consumo energético diário, é preciso um gasto energético maior, e este gasto energético é composto por três fatores: taxa metabólica de repouso (TMR), efeito térmico da atividade física e efeito térmico da comida (ETC). O exercício físico combinado com a restrição calórica controla a TMR, o que não ocorre se o tratamento da obesidade for baseado apenas na restrição, que leva à diminuição da mesma. A dieta adotada no tratamento dependerá do valor energético total e dos macronutrientes prescritos. Uma dieta com baixo teor de gordura, além de atuar no metabolismo lipídico, foi mais eficaz na redução de peso do que as dietas com baixo teor de carboidratos, como mostra uma meta análise
          A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) já apresenta uma diretriz definida para o tratamento não medicamentoso da SM. O plano alimentar recomendado aos pacientes portadores da SM consiste em fornecer um valor energético total compatível com a obtenção e/ou manutenção do peso corporal desejável. Além disso, o consumo diário de carboidratos, proteínas e gordura total deve ser de 50-60%, 15% e 25-35% do valor energético total, respectivamente. A ingestão de gordura saturada deve ser limitada a menos do que 10%, a gordura monoinsaturada, até 20% e de gordura poli-insaturada, até 10%. O consumo de colesterol deve ser menor do que 300 mg/dia, e para pacientes com valores de LDL-colesterol acima de 100 mg/dl, é sugerido um consumo menor do que 200 mg/dia. É recomendado o consumo de 20-30 g/dia de fibras totais sob a forma de grãos integrais, frutas, vegetais e leguminosas.
          ERIKSSON J, KAHN SE, MILLER JP apud CIOLAC e GUIMARÃES, 2004, p.320 demonstraram que uma única sessão de exercício físico aumenta a disposição de glicose mediada pela insulina em sujeitos normais, em indivíduos com resistência à insulina, parentes de 1º grau de diabéticos do tipo 2, em obesos com resistência à insulina, bem como em diabéticos do tipo 2, e o exercício físico crônico melhora a sensibilidade à insulina em indivíduos saudáveis, em obesos não diabéticos e em diabéticos do tipo 1 e 2

6 – RESULTADOS
          O gráfico 01 evidencia que dos 50 entrevistados, 21 apresentaram sobrepeso, seguido por 17 no peso ideal, 4 apresentaram estar abaixo do peso ideal, 8 apresentaram obesidade sendo: 4 obesidade grau I, 2 obesidade grau II e 2 obesidade grau III.
          Estes valores evidenciam que o número de pessoas classificadas como sobrepeso foi elevada em relação às outras categorias estudadas. Os resultados elevados são preocupantes, uma vez que, a obesidade abdominal é normalmente associada a diversas complicações metabólicas.

Gráfico 01: Relação de IMC nos entrevistados. São Paulo, 2012.

A leitura do gráfico 02 mostra que das 27 mulheres entrevistadas, 13 apresentaram circunferência abdominal nos parâmetros normais; 6 apresentaram risco aumentado e 8 risco aumentado substancialmente. Dos 23 homens entrevistados, 7 apresentaram circunferência abdominal nos parâmetros normais; 11 apresentaram risco aumentado e 5 risco aumentado substancialmente.
Quando da avaliação da circunferência abdominal, dos 50 entrevistados, 30 apresentaram alteração.
              O acúmulo de tecido adiposo principalmente na região abdominal é fundamental para o desencadeamento da síndrome metabólica. De acordo com LOTTENBERG, S.A; GLEZER, A; TURATTI, L.A. (2007, p. S206) “Existe uma associação entre o tecido adiposo e as principais células inflamatórias, levando a um aumento da produção de mediadores inflamatórios e a maior liberação de ácidos graxos livres, cujos efeitos se fazem sentir tanto nas células beta das ilhotas de Langerhans e seus receptores como na parede vascular.” Quando relacionado os valores de circunferência abdominal entre homens e mulheres entrevistados percebeu-se que os homens apresentaram valores maiores em comparação as mulheres, o que pode gerar uma maior predisposição destes em desenvolver a síndrome metabólica.
              Vale lembrar que dentre os entrevistados classificados como peso ideal mais da metade deles possuíam tendência a estar no sobrepeso. O mesmo pode se dizer em relação aos entrevistados com sobrepeso, pois mais da metade deles apresentaram valores de IMC que tendiam a se aproximar da classificação de obesidade grau I.



 Gráfico 02: Alteração de circunferência abdominal nos entrevistados. São Paulo, 2012.

O gráfico 03 mostra que dos 50 entrevistados, 30 apresentaram índices glicêmicos entre 70 a 99 mg/dl, sendo que 10 eram homens e 20 mulheres; 18 apresentaram índices glicêmicos até 160 mg/dl, dos quais 11 eram homens e 7 mulheres e apenas 2 entrevistados apresentaram índices glicêmicos acima de 180 mg/dl, todos homens. Dado as caracteristicas do evento em que os dados foram colhidos não foi considerado o horário em que os entrevistados fizeram a sua última refeição, considerou-se os valores até 160 mg/dl como índices glicêmicos normais, sendo assim, pelo resultado obtido apenas 2 dos 50 entrevistados apresentaram descontrole no índice glicêmico. Portanto, considerando o índice glicêmico de maneira isolada, poucos entrevistados estariam predispostos a desenvolverem a sindrome metabólica


Gráfico 03: Índices glicêmicos nos entrevistados. São Paulo, 2012.

Na observação do gráfico 04, os 50 entrevistados, foram classificados de acordo com gênero e cor de pele. Dos 17 homens brancos, 7 apresentaram índice pressórico considerado ótimo, 4 com índice considerado normal, 5 com índice pressórico limítrofe, 1 com índice pressórico em hipertensão em estágio I e nenhum apresentou índice em hipertensão em estágio II. Dos 6 homens negros, 2 apresentaram índice pressórico considerado ótimo, 3 com índice considerado normal, nenhum com índice pressórico limítrofe, 1 com índice pressórico em hipertensão em estágio I e nenhum apresentou índice em hipertensão em estágio II. Das 21 mulheres brancas, 5 apresentaram índice pressórico considerado ótimo, 7 com índice considerado normal, 7 com índice pressórico limítrofe, 1 com índice pressórico em hipertensão em estágio I e 1 apresentou índice em hipertensão em estágio II. Das 6 mulheres negras, 3 apresentaram índice pressórico considerado ótimo, 1 com índice considerado normal, 1 com índice pressórico limítrofe, nenhum com índice pressórico em hipertensão em estágio I e 1 apresentou índice em hipertensão em estágio II. Dado as características do evento o número de entrevistados brancos superou a de negros, portanto o número de pressão limítrofe foi maior nestes primeiros indivíduos. O mesmo aconteceu em relação às mulheres. O gráfico 04 mostra ainda que houve um equilíbrio entre o número de casos de hipertensão nos estágios I e II.

Gráfico 04: Índices pressóricos nos entrevistados. . São Paulo, 2012.

7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
              Os dados obtidos sugeriram que se fossem considerados isoladamente o IMC e a circunferência abdominal haveria um grade potencial destes indivíduos a desenvolverem a síndrome metabólica. Entretanto, no que se refere ao índice glicêmico o resultado não levou a mesma conclusão porque apenas 2 entrevistados apresentaram alteração neste índice. Tal fato se deu em decorrência das características do evento em que os dados foram colhidos devido a dificuldade em se determinar o tempo em que os entrevistados tinham feito a última refeição antes da coleta sanguínea.
              A síndrome metabólica também contempla alterações no metabolismo lipídico, mas neste estudo não foi aferido os níveis de colesterol e triacilgliceróis.
              A despeito de ter uma concentração grande de indíviduos com índices considerados entre ótimo e normal, chama atenção a quantidade de pessoas classificadas no parâmetro de limítrofe pois se não houver preocupação aos demais fatores de riscos para esta síndrome incluindo mudanças como por exemplo o de estilo de vida e hábitos alimentares serão candidatos a desenvolverem hipertensão em algum estágio.
              Dado ao pequeno universo da pesquisa os autores entendem de grande importância e valia ampliar o estudo e obter dados com vista a validar os presentes resultados, bem como o planejamento de programas de prevenção da SM e promoção de saúde.

8 – FONTES CONSULTADAS

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Lean MEJ, Han TS, Morrison CE. Waist circumference as a measure for
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LOTTENBERG, Simão Augusto; Glezer, Andrea; Turatti, Luiz Alberto. Metabolic syndrome: identifying the risk factors. Jornal de Pediatria, São Paulo, v. 83, n. 5, nov. 2007.
MEDEIROS, Carla et al. Resistência Insulínica e sua Relação com os componentes da síndrome Metabólica. Arq Bras Cardiol [online]. 2011, vol. 97, n. 5, pp. 380/389. Epub set. 30, 2011. ISSN 0066/782x.

SANTOS, Claudia Roberta Bocca et al. Fatores dietéticos na prevenção e    tratamento de comorbidades associadas à síndrome metabólica. Rev. Nutr., Campinas, v. 19,  n. 3, jun. 2006.

STEEMBURGO, Thais et al . Fatores dietéticos e síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo,  v. 51,  n. 9, dez.  2007.